A decisão de Valentino, o futuro de Lorenzo e o que esperar da Aprília.

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O mundo do MotoGP e do WorldSBK esteve relativamente calmo nas últimas duas semanas, após as fábricas entrarem em recesso permitindo que equipes e pilotos aproveitem esse tempo conforme a conveniência de cada um. Muito pouco aconteceu nesse interim, e agora o Maniamoto volta toda a sua atenção para uma das provas mais difíceis do mundo – o Dakar 2020. Contudo, lendo os comentários dos leitores em vários blogs do MotoGP, decidimos esclarecer algumas dúvidas que ficaram “no ar” nas matérias originais.

A principal envolve o italiano Valentino Rossi – ele será competitivo quando completar 41 anos dentro de algumas semanas? Ele acredita que pode ser. Ele comentou à Gazzetta dello Sport que ainda é o mesmo piloto que derrotou Casey Stoner em 2008, um critério estabelecido por seu ex-chefe de equipe Jeremy Burgess. O problema é que ele está mais velho e seus rivais são mais fortes, afirmou Rossi. Ele sabe que tem que tomar uma decisão este ano.

Tempo de decisão

Mas é uma decisão que ainda precisa ser tomada. Antes de dar esse passo, Rossi quer ver se ele pode ser mais competitivo do que em 2019 e, se não, não há razão para continuar. Ele conversará com seus amigos e familiares próximos, disse ele, antes de se decidir.

O problema é que o tempo não está do lado dele. Com todo mundo sem contrato no final de 2020, a pressão para as fábricas será contratar pilotos o mais cedo possível. Mas Rossi precisa de tempo para entender se deve continuar ou não. “Gostaria de ter um pouco mais de tempo. Infelizmente, hoje no MotoGP tudo é decidido no início do ano. Vou precisar de um pouco de entendimento até no meio da temporada”, disse Rossi à Gazzetta dello Sport.

Após a publicação da entrevista, houve algumas manchetes sugerindo que Rossi estaria disposto a aceitar um rebaixamento para a equipe Petronas Yamaha em 2021 para continuar correndo. Mas não foi exatamente isso o que Rossi disse. O italiano apenas apontou que a Yamaha enfrentará um dilema (ou talvez um trilema seja a melhor maneira de expressá-lo), tentando encaixar três pilotos – Maverick Viñales, Fabio Quartararo e ele mesmo – em dois lugares. Ele foi positivo em relação à equipe Petronas, mas com a intenção de apontar que ainda havia muito em aberto, e que Viñales ou Quartararo estão em posição de seguir em frente com outra equipe.

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As declarações de Rossi também abordaram a possibilidade de Jorge Lorenzo assumir o papel de piloto de testes na Yamaha. Os rumores de Lorenzo voltando como piloto de testes começaram em meados de dezembro do ano passado, mas houve pouco movimento até agora. Lorenzo voltou de suas longas férias pós-aposentadoria em Bali e está de volta em sua casa na Suíça. O espanhol está postando fotos nas redes sociais, treinando forte, então ele parece determinado a ficar em forma.

Ainda não se sabe se isso significa que ele assumirá o papel de piloto de testes. O espanhol está basicamente lesionado desde Aragão em 2018, após os acidentes de Barcelona e Assen, onde ele fraturou as vértebras, algo que o deixou visivelmente assustado. Ele teve medo em sua última corrida em Valência; medo de que uma queda poderia deixá-lo com danos permanentes na coluna. Mas o medo não é tão ruim assim porque obriga o piloto a ficar mais alerta.

Um papel como piloto de testes significará estar disposto a levar a nova moto ao limite e correr o risco de queda ao fazê-lo. Aceitando, Jorge Lorenzo sabe que estará disposto a correr esse risco. Em entrevista ao site espanhol motosan.es, ele pelo menos reconheceu que essa é uma possibilidade que ele tem sobre a mesa. Ainda não está claro como a adoção dessa opção afetaria seu retorno ao paddock em um papel na TV.

No entanto, uma coisa é certa — Lorenzo não será o piloto de testes da Ducati. O chefe da Ducati Corse, Gigi Dall’Igna, estava ansioso para que Lorenzo retornasse à fábrica italiana, mas apenas se o espanhol quisesse continuar correndo. O diretor esportivo da Ducati, Paolo Ciabatti, descartou a ideia de Lorenzo se tornar um piloto de testes  da fábrica italiana à publicação alemã Speedweek.com.

Quem substituirá Iannone?

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Uma outra fábrica italiana também pode precisar de seu piloto de testes. Na terça-feira, a amostra B de Andrea Iannone, do teste de drogas que ele foi previamente reprovado em Sepang, deverá ser testada. Se a amostra B de Iannone revelar-se positiva, sua proibição provisória se tornará permanente.

Quem substituirá Iannone? A coisa mais lógica para a Aprilia seria promover o atual piloto de testes Bradley Smith para a equipe da fábrica, ao lado de Aleix Espargaró. Esse parece ser o curso de ação mais provável, de acordo com fontes dentro da Aprilia, mas se há uma coisa que aprendemos na temporada de MotoGP de 2019 é que nada é certo, mesmo quando os contratos já foram assinados. Smith definitivamente participará da novíssima RS-GP nos testes de Sepang e Qatar e é o candidato mais provável a estar no grid no Qatar.

Se Smith receber a promoção, isso abrirá a vaga para um piloto de testes. A Aprilia já tem contrato com Matteo Baiocco, que testou para a fábrica de Noale nos últimos dois anos. Mas com o objetivo de dar um grande passo à frente em 2020, eles vão querer um segundo piloto que ultrapasse os limites da moto.

Aprilia — novo piloto de testes, nova moto

Karel Abraham provavelmente preencherá essa lacuna. O piloto tcheco ficou sem assento, depois de ter sido deixado de lado sem cerimônia para dar lugar a Johann Zarco na equipe Reale Avintia. Abraham já fez alguns trabalhos de testador no passado para a KTM, e seu feedback foi considerado sólido.

Ter um piloto forte será vital para a Aprilia. A fábrica italiana deve lançar uma nova moto no teste de Sepang, com um motor completamente novo. Esse mecanismo terá um novo ângulo em V, com alguns relatórios sugerindo que será 90° em V, em vez de um ângulo mais estreito (75graus) como é usado atualmente. O objetivo é gerar mais potência e melhorar a aceleração e a desaceleração, com a frenagem do motor desempenhando um papel extremamente importante na entrada das curvas.

A Aprilia contratou vários novos engenheiros para ajudar a projetar a nova moto, trabalhando no motor, na eletrônica e na aerodinâmica. O CEO da Aprilia Racing, Massimo Rivola, fez grandes mudanças dentro da organização para tornar o departamento de corridas mais eficaz e obter melhores resultados dos engenheiros. Uma mudança tão radical em termos de design da moto levará tempo para dar certo e precisará de muito trabalho de um piloto de testes competente para ajudar a orientar o projeto na direção certa.