A obrigação da Ducati de vencer o MotoGP e o WorldSBK em 2019.

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As próximas duas corridas, Catar no MotoGP e a Tailândia no WSBK, serão bons sinais da verdadeira força da Ducati. Será seu ano de glória? Se a equipe não vencer em Losail, aproveitando a situação da Honda em que os seus dois pilotos estão voltando de cirurgia, será um mau negócio. Em contraste, se eles vencerem novamente com Álvaro no WSBK, será muito preocupante para a Kawazaki.

Eu quase nunca faço previsões no início da temporada. E sabem por que? No momento em que um fã de MotoGP aposta em um piloto, ele começa a ver o seu “favorito” com muitos bons olhos e começa subconscientemente a se justificar se o seu “candidato” não vencer. É fato, no entanto, que 2019 parece ser o ano da Ducati.

Em uma entrevista recente de Randy De Puniet ao Paddock-GP, o ex-piloto francês de MotoGP declarou: “Quando olhamos para a tabela de resultados, dizemos que a Ducati e a Yamaha dominaram os testes, mas quando ouvimos as declarações de pilotos como Andrea Dovizioso, ele explica que a classificação não reflete realmente a realidade. Parece que a Yamaha não está no melhor nível de tempo em uma volta, mas em termos de ritmo de volta, eles têm bons números”.

De Puniet continua: “No papel, acho que a Ducati ainda tem a melhor moto do grid. Parece boa para todos os estilos de condução. Seus quatro pilotos estavam entre os quatro primeiros colocados, considerando que eles têm estilos diferentes de condução. Estão usando também uma base muito boa que tiveram em 2018.”

Com relação ao favoritismo de Viñales e da Yamaha, o francês foi bem objetivo: “a Yamaha continua a ser uma moto “fácil” de conduzir e difícil de ganhar”.

Em declarações coletadas pela Motorsport, Miller — piloto da Pramac Ducati – comentou que o seu papel e de Petrucci na marca italiana é ajudar Dovizioso. A direção da Ducati foi clara: eles são, das três grandes equipes de MotoGP, a única que tem um líder claro dentro dela, e querem aproveitar isso.

Assim, na Ducati todas as luzes agora apontam para Dovizioso. O desejo de um Campeonato na Itália é tão grande que, por essa razão e como Miller explica, as cartas foram jogadas em apenas uma direção. Se para Dovi ter sido o escolhido da Ducati é bom, por outro lado vamos ver como ele se sairá com a pressão do mundo sobre sua cabeça.

Já no WorldSBK é fácil olhar para o desempenho de Bautista no fim de semana da Austrália e assumir que as vitórias continuarão indefinidamente, mas em corridas nem sempre as coisas funcionam assim.

Phillip Island é única e Alvaro Bautista (Aruba.it Racing – Ducati) foi fantástico em torno deste circuito. Se alguma vez houve uma receita perfeita para o espanhol, foi em Phillip Island. Conversar com o pessoal da equipe que trabalhou com Bautista no passado é ouvir sempre: “Ele é fantástico na Austrália”.

Não há como Bautista continuar a vencer corridas com a diferença de 15 segundos, mas a moto vai funcionar em Buriram e o espanhol controlou bem o seu pneu na corrida tailandesa de MotoGP no ano passado. O maior ponto de interrogação após a primeira rodada não é como Bautista foi tão dominante, mas sim como os outros pilotos da Ducati evoluíram durante a semana.

Chaz Davies (Aruba.it Racing-Ducati), colega de equipe de Bautista, ficou muito longe do esperado, apesar de contar agora com um novo chefe de equipe, engenheiros e uma moto derivada do MotoGP.

Será a Austrália o começo do caminho ao título do Campeonato ou foi apenas uma corrida fora da curva? Essa é a pergunta vale um milhão de dólares para os outros 17 pilotos do grid. Nos testes de inverno, não vimos esse tipo de desempenho de Bautista. Nós vimos Jonathan Rea no topo dos tempos e confortável. Agora o campeão precisa cavar e revidar. Depois da corrida Rea disse que ele havia levado “uma faca para um tiroteio”.

A desvantagem da Kawazaki é que as motos esportivas de 1000cc já não têm muito mercado e, portanto, é improvável que a Kawasaki faça um motor “moderno” para competir com a Ducati Panigale V4R. O regulamento em si dá a Kawazaki a mesma velocidade linear do pistão da Ducati, até mesmo algo mais. A equipe Kawasaki do SBK, no entanto, é tremenda, e tem muita experiência em aproveitar um projeto algo “clássico” e confiamos que Riba e Verdes encontrarão soluções para dar guerra à Ducati.

Em suma, a temporada 2019 de MotoGP e do WorldSBK prometem muito. Será fascinante descobrir como Dovi encontrará uma maneira de derrotar o campeão Marc Márquez. O que acontecerá com a sua confiança quando Marc ou Lorenzo começarem a ganhar? Do outro lado a situação de Rea não é diferente. O campeão do WSBK sabe que a Kawazaki tem uma ótima moto e está condicionado a vencer. E se descobrir que não consegue mais vencer?