A reposição de peças dos protótipos da MotoGP.

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Cada detalhe conta quando se trata de ganhar segundos preciosos em uma corrida, portanto, não há motivo para surpresas que os protótipos da MotoGP tenham protocolos de manutenção complexos. Os mecânicos são responsáveis por substituir e cuidar das motos e tantas peças. Esses profissionais trabalham incansavelmente em cada GP.

Esses protótipos, que são a vitrine tecnológica das fabricantes, requerem muito mais cuidados e manutenções que uma moto de rua. Hoje essas manutenções são mais restritivas, vamos comparar com a época dos motores dois tempos onde era necessário desmontar todo o motor após o fim dos GPs para que uma limpeza completa fosse realizada.

Atualmente com regras obrigando a vedação dos motores, e graças aos avanços tecnológicos, manutenções exaustivas nos motores não são mais necessárias. No entanto, muitas peças estão sujeitas a desgaste intenso e devem ser substituídas com freqüência para evitar acidentes. Supondo que um protótipo tenha cerca de 2000 mil peças e componentes, cerca de 200 dessas peças requerem alta manutenção e controle.

Óleo: É o sangue do motor, verificado de forma constante e recarregado se necessário. O troca varia de equipe para equipe e da especificação do produto, algumas equipes usam o mesmo óleo para os treinos de sexta e qualificatório de sábado, trocando apenas no domingo. Outras equipes fazem a troca em cada dia que a moto vai para a pista(sexta, sábado e domingo). No final de cada GP o óleo das motos são totalmente drenados, questão de segurança para o transporte aéreo.

Liquido refrigerante(vulgo água do radiador): Assim como o óleo, o liquido refrigerante é também verificado de forma constante. No fim de cada sessão o liquido é trocado, o radiador e as mangueiras são limpos e verificados para evitar qualquer tipo de falha no motor.

Filtro de ar, injetores, velas de ignição: verificados após cada sessão, substituídas se necessário. Essas peças tem uma vida útil de 500 kms.

Pinhão e coroa: Duram cerca de mil quilômetros de uso, segundo o regulamento, a troca do kit(pinhão e coroa) é limitado a 24 vezes. Uma equipe começa com 24 kits e deve fazer seu rodízio durante toda a temporada.

Embreagem: Uma peça muito importante, é removida após quase todas as sessões para verificação dos discos e molas. Tem uma vida útil de cerca de 1000 quilômetros. Não existe limite de kit de embreagem para as equipes usarem em uma temporada.

Freios: Importantíssimo, verificado de perto após cada retorno aos boxes, o fluido é trocado em cada final de semana de corrida. Os discos e pastilhas têm uma vida útil entre 800 e 1000 quilômetros. O regulamento limita essas peças da seguinte maneira por temporada: 3 kits de pinças(dianteira e traseira), 10 discos de carbono e 28 pastilhas.

Sensores: Como são peças eletrônicas não estão sujeitas ao desgaste extremo, mas os sensores podem se deteriorar devido ao ambiente. Para obter o desempenho máximo essas peças são trocadas(geralmente) a cada 4 GPs.

Motor: De acordo com o regulamento, cada piloto tem direito a 7 motores para serem usados na temporada. Equipes como KTM e Aprilia gozam de concessões e cada um dos seus pilotos usam 9 motores por temporada. Os motores são lacrados, sendo impedido qualquer tipo de manutenção interna.

Chassi: Geralmente são substituídos no meio da temporada, mas sempre ocorre grandes tombos e dependendo da situação a troca é imediata.

Suspensão: Uma peça que recebe ajustes de forma constante em todo o final de semana de corrida. Geralmente uma suspensão dura toda temporada, mas há os tombos que danificam a peça e acabam necessitando de trocas.

suspensao wp

Carenagem: Assim como a suspensão, pode durar uma temporada inteira, mas seria necessário que o piloto nunca caísse. Quantas carenagens o Cal Crutchlow detona em uma temporada? Hahaha

Como foi dito no começo da matéria, essa lista não é exaustiva, não da para citar todas as peças.