Alex Márquez na Honda – vantagens e desvantagens.

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A Repsol Honda confirmou oficialmente que Alex Marquez fará parceria com seu irmão Marc na equipe Repsol Honda no próximo ano. É a primeira vez que dois irmãos correm na mesma equipe no MotoGP. Houve outros irmãos participando da mesma classe ao mesmo tempo – Aleix e Pol Espargaro é o exemplo mais recente disso, mas nunca antes os irmãos competiram na mesma equipe nas 500cc ou no MotoGP.

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Marc Marquez nunca fez segredo ao longo dos anos de seu desejo de compartilhar a garagem com o seu irmão Alex, quando deixou o “junior” testar a sua moto Honda como recompensa por vencer o título de Moto3 em 2014. Alex também substituiu o lesionado Tom Luthi no teste em Jerez em novembro de 2017. Havia a crença de que Marc tentaria trazer Alex para a equipe em 2021, quando o contrato de Jorge Lorenzo terminasse. Mas quando surgiu a notícia da precoce aposentadoria de Jorge Lorenzo, uma grande porta se abriu mais cedo.

No início, o irmão mais novo de Márquez era um dos poucos candidatos de uma lista que incluía Johann Zarco, Cal Crutchlow, Takaaki Nakagami e até Álvaro Bautista. Mas, no fim de semana, ficou cada vez mais claro que Alex Marquez receberia a ligação, especificamente a pedido do irmão Marc.

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É uma jogada arriscada da Repsol Honda? A justificativa para levar Alex Marquez direto para a equipe de fábrica é que ele é o atual campeão da Moto2 e, como tal, merece uma vaga no MotoGP, embora alguns torcedores não concordem com esse argumento. A Honda, por seu lado, pode justificar a sua decisão dizendo que a saída precoce de Jorge Lorenzo os forçou a tomar uma decisão, limitando as suas opções para encontrar um substituto adequado. E o benefício de ter Alex na Repsol ao lado de Marc é que os dois têm muito mais chances de trabalhar juntos do que criar atritos dentro da equipe. Algo que também a Ducati buscou quando trouxe Petrucci para trabalhar com o Dovi.

Mas há muitos riscos em ter Alex ao lado de Marc. O fato de Alex ser irmão de Marc teve papel importante na decisão da fábrica. Quaisquer que sejam os méritos de Alex Marquez no MotoGP – como atual campeão da Moto2, ele certamente merece uma chance na classe rainha -, é incomum os novatos irem direto para as equipes de fábrica, exceto os pilotos da Suzuki, por não terem uma equipe de satélite, e Brad Binder, que já é um velho conhecido da KTM.

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Há também um grande risco de Marc Marquez se distrair. Se Alex não se adaptar rapidamente à Honda, Marc será inundado com perguntas sobre se foi um erro colocar Alex em uma situação de alta pressão. Marc provavelmente se sentirá obrigado a tentar ajudar Alex, afastando ainda mais o foco do trabalho de vencer o campeonato em 2020. E se Alex não se adaptar imediatamente à RC213V de 2020, a Honda poderá enfrentar muitas críticas por ter colocado um piloto fraco, que está muito longe do grande campeão.

É claro que pode haver benefícios a longo prazo. No momento, Marc Marquez não tem interesse em tornar a Honda RC213V mais fácil de pilotar, desde que consiga fazer as coisas que ele considera ideal. Os problemas de outros pilotos não são da sua conta no momento.

Mas se Alex tiver dificuldades, Marc pode ter uma motivação adicional para tentar melhorar as áreas que ajudariam todos os pilotos da Honda. É do interesse de Marc Marquez que seu irmão seja competitivo, e se isso significa facilitar a condução da moto, ele certamente estará inclinado a fazer isso.

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Vamos ver como Alex Marquez se sai com a Honda a partir de terça-feira. O atual campeão da Moto2 testará em Valência a moto da LCR Honda, a Honda RC213V de 2019, que Takaaki Nakagami deve pilotar no próximo ano. O que ele testará em Jerez, e para qual garagem ele trabalhará, ainda não foi respondido. Alex também terá três dias extras de testes, ao lado de Brad Binder e Iker Lecuona; os novatos terão permissão para testar durante o “shakedown” do MotoGP antes do teste de Sepang em fevereiro do próximo ano.

Alex Marquez deixa um lugar vago na Moto2, na equipe Marc VDS.  A maioria dos contratos de Moto2 tem uma cláusula específica, permitindo que o contrato seja quebrado se o piloto receber uma vaga no MotoGP. Johann Zarco é o candidato mais provável para ocupar esse lugar, depois que o francês recusou a chance de permanecer no MotoGP com a Avintia Ducati.

Dizem que Alberto Puig não teve dúvidas sobre a opção e a projeção de Àlex Márquez, importando muito pouco o que as pessoas pudessem falar sobre a contratação porque ele estava adquirindo os serviços de um bicampeão mundial. Poucas equipes oficiais têm um campeão com dois cetros. Alguns jornalistas disseram que as dúvidas estavam em uma das autoridades japonesas e, sobretudo, na possibilidade do MotoGP querer ter uma imagem mais forte no mercado francês, e forçar a Honda a optar pelo francês Zarco. Não há dúvida de que o emocionante discurso de Marc no fim de semana passado, em Cheste, teve um grande poder de influenciar, finalmente, a decisão da equipe vencedora da Tríplice Coroa.

Enfim, todos sabem que a  RC213V é um doce indigesto, como Lorenzo cedo descobriu. É fato, no entanto, que o pequeno dos Márquez, com 23 anos, entra pela porta da frente no MotoGP em 2020, com a oportunidade de ser fixado no grid da classe rainha no futuro. Boa sorte!

Abaixo, o comunicado oficial da Honda à imprensa:

“A Honda Racing Corporation tem o prazer de anunciar a contratação do bicampeão mundial Alex Marquez. O jovem piloto espanhol se juntará à Repsol Honda Team em um contrato de um ano.

Ele passará da classe intermediária para ser parceiro do oito vezes campeão mundial Marc Marquez em 2020, na sua temporada de estréia na classe rainha a bordo da Honda RC213V.