Cecchinello levanta dúvidas sobre a continuidade de Lorenzo na Honda.

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“Eu tenho o meu ego e foi importante estar à frente de Lorenzo”
Johann Zarco

Lorenzo terminou o seu pior GP no que diz respeito à memória em Phillip Island, e provavelmente de toda a sua carreira desportiva. Ele se classificou em 19º no grid, quase três segundos do melhor tempo e terminou em 16º na corrida, o último dos que terminaram, aos impressionantes 66 segundos do vencedor — o seu parceiro Márquez.

Em um circuito em que a volta rápida foi de 1: 29,322, a melhor dele ficou em 1: 31,922, dois segundos e meio mais lento. E então, diante dos jornalistas, ele recorreu novamente à lesão nas costas, sofrida no final de junho em Assen, para explicar a sua má corrida.

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“Você precisa pegar a moto com mais força na aceleração, por causa do vento. Eu sofri muito. Além do sofrimento físico, nunca tive bons sentimentos ou segurança durante o fim de semana e principalmente na corrida.”

E quando perguntado se ele havia completado seu pior final de semana na Honda, ele reconheceu sem hesitar que ” sim, em termos de diferença com o primeiro na pole e na corrida”.

Lorenzo tem poucos amigos no MotoGP e, embora Márquez tenha sido benevolente com ele, quando lhe perguntaram o que ele achou da estreia de Zarco com a Honda, quem aproveitou a oportunidade para cobrá-lo foi Miller, que riu e disse sem que ninguém lhe perguntasse. : “Foi melhor que Lorenzo.”

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“Acho que ele tomará uma decisão após o teste de Valência”, declarou
Lucio Cecchinello, o homem que levou Johann Zarco à Honda para substituir Nakagami (foto acima), levantando dúvidas sobre a continuidade de Jorge Lorenzo na Repsol Honda em 2020. O diretor da LCR Honda saiu de cima do muro – posição dos outros chefes da HRC e do próprio piloto – que sempre afirmaram que ele cumprirá o seu contrato de dois anos.

O ex-piloto revela que não há boa harmonia entre Jorge e sua equipe. “Na verdade, isso não são as coisas que me preocupam e eu não fico pedindo informações a Kuwata ou a outros. Não me permito perguntar quais são as suas intenções. O que posso dizer claramente é que há uma degradação no relacionamento entre Jorge e a sua equipe, mas isso é esperado, porque ver um tricampeão mundial que termina nos últimos lugares, a um minuto e 12 segundos do primeiro, parece deprimente para ele e para a sua imagem “, confessou o dirigente ao site gpone.com.

O líder italiano afirmou que, se a futura Honda 2020 não for do agrado de Lorenzo, ele poderá se aposentar. “Jorge não gosta desta moto. Ele vai esperar para ver como está o protótipo de 2020. Espero que continue ou, antes do início da temporada, ele possa dizer: ‘Olha, eu não consigo pilotar sua moto; vou parar de correr’. Esta é a minha leitura, porque eu não consigo imaginar que Jorge estará disposto a ficar um ano inteiro – são 20 corridas – sempre entre os últimos. Eu acho que isso não interessa a ele nem à HRC.”

Cecchinello acredita que a Honda 2019 foi desastrosa para Lorenzo. “Se olharmos para o que ele fez em Jerez em 2018, ele estava a poucos décimos de Marc. A moto de 2019 dá menos confiança e sensibilidade aos pilotos com a sua frente. Analisando o desempenho de Jorge, 70 ou talvez 80% depende da falta de confiança, e, a parte restante, de seu estilo de pilotagem. Está bastante claro que ele não tem confiança“, diz ele.

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O transalpino daria um voto de confiança a Zarco? ” Sua estreia foi muito interessante; ele melhorou a cada dia, mas será preciso esperar até a Malásia para fazer um balanço”, disse ele.

Johann Zarco terminou sua primeira corrida na 13º posição, conduzindo a moto Honda de Nakagami, após este ter sido submetido à cirurgia no ombro. Esta posição não era a que o francês aspirava, mas no final ele acabou satisfeito por terminar à frente de Lorenzo na Austrália. Agora ele buscará encurtar as distâncias com Márquez (26 segundos) e Crutchlow (15 segundos).

“Conversando com Alberto Puig, ele me disse que está muito satisfeito com o que fiz e acha que em Sepang darei mais um passo.”

E qual foi a impressão de Zarco ao pilotar uma Honda?

“Foi-me dito que a moto de Nakagami não é a mais poderosa, mas para este fim de semana eu tive o suficiente.” Na sexta-feira, ele declarou que ainda precisava ter confiança com a moto.

Zarco conseguiu chegar ao seu limite durante a corrida? “Claro, eu estava no meu limite na corrida, mas talvez não no limite certo da moto. O que eu melhorei de sexta para hoje fala por si só. Na sexta-feira, entendi que podia fazer coisas melhores nos cantos, mas fiz duas ou três voltas e depois tive que descansar uma volta, pressionar novamente e novamente descansar, e agora fiz as 27 voltas lutando, concentrado, com Pol Espargaro.

Nosso ritmo foi bom no começo, estávamos forçando e poderia até acelerar mais, acompanhando Bagnaia, Morbidelli ou Mir, mas, como estávamos lutando, perdi tempo. Porém a coisa está aí, eu me senti bem a cada volta e não tive a sensação de estar exausto e ter que desistir.”

O convite a Zarco para correr apenas três corridas não aconteceu por acaso…”O menor choque parte o que já se acha rachado.”