Como a Ducati irá resolver o problema com o Álvaro?

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No último final de semana, os fãs de esportes a motor certamente ficaram deliciados com a série de eventos que começou com a Fórmula 1 em Xangai – vencido por Lewis Hamilton, depois o WorldSBK – vencido por Bautista, e as três categorias do MotoGP.

Segundo o site GPOne.com/it, somando a televisão por assinatura e a digital do canal Sky (Itália), a Fórmula 1 foi sintonizada por 2.245.000 telespectadores. O MotoGP ultrapassou os 3 milhões (3.054.000), e o WorldSBK teve 1.583.000 telespectadores, que é recorde para o início de temporada. A ida de Álvaro Bautista para o Superbike, sem dúvida, contribuiu para o aumento dessa audiência.

Com o resultado do fim de semana, Álvaro achou uma maneira de usar os seus dedos tatuados para mostrar quantas vezes ele já venceu corridas seguidas – um total de 11. Eu não vou apostar que breve ele estará usando os dois punhos para exibir a quantidade de corridas ganhas.

Depois de passar os últimos dois anos lendo que Jonathan Rea deveria estar no MotoGP, começo a ouvir agora a conversa que o AB19 realmente deveria estar na categoria rainha, no lugar do Petrux ou talvez de volta à Pramac, com uma moto de fábrica.

Ninguém se torna um campeão mundial em qualquer esporte sem um mínimo de talento. Assim, não creio que “as regras de equilíbrio” do WorldSBK, onde o custo de tudo é limitado, possam restringir as performances de Bautista nas pistas nesta temporada. Volto, no entanto, ao que eu disse na última matéria sobre o Superbike que estamos em um ponto de inflexão tecnológica nas corridas e acredito que os outros fabricantes aumentem seu desempenho no próximo ano com novos modelos de motos esportivas de um litro. Com isso, o Campeonato ficará mais disputado.

Enquanto isso não acontece, vamos olhar um novo lado. “Pode estar se aproximando o tempo em que a Ducati terá que avaliar os custos do sucesso de Alvaro”. Ele está invicto em 2019 e está a caminho de adicionar um título de Superbike à sua coroa de 125GP. O espanhol está pilotando com incrível confiança e consistência, e é uma alegria assisti-lo hoje no SBK, a menos que você seja o diretor financeiro da Ducati. Os custos de seu sucesso estão se acumulando e ele se coloca em uma posição muito rara – a de estar potencialmente “ganhando muito bem”!

Na corrida todo sucesso é medido em números. Número de vitórias, número de pódios e número de pole positions. Os contratos dos pilotos refletem isso. Quanto mais você ganha na pista, mais os bolsos ficam cheios. Os incentivos sempre foram muito recompensados e, sem dúvida, o contrato de Alvaro Bautista é estruturado de forma semelhante.

Segundo alguns pilotos e representantes de equipes em Assen, o bônus médio para quem ganha uma corrida é de € 25.000. Como a corrida Superpole foi introduzida nesta temporada, é possível que a disputa de dez voltas tenha um valor diferente.

Como diretriz, usaremos os números de Bautista para o que parecia ser a taxa normal de 25.000 € para uma vitória na corrida e avaliaremos que a Ducati está oferecendo a ele um valor menor pela vitória na corrida Superpole.

Em 2003, Neil Hodgson (31 anos) começou a temporada de maneira semelhante. Ele estava invicto em quatro rodadas, venceu nove corridas consecutivas e ao longo da temporada ganhou 13 vezes. O seu contrato era tal que os bónus + salários deixaram a Ducati com poucas opções a não ser encontrar outra casa para o inglês. O campeão de 2003 do WorldSBK mudou-se para a MotoGP com a equipe D’Antin e a Ducati economizou uma fortuna em 2004.

Tal como está, imaginamos que Bautista, gerido por Simone Battistella, se colocou numa posição muito forte para negociar um retorno imediato ao MotoGP. Se avaliarmos o sucesso de Bautista até agora, ele ganhou pelo menos € 200.000 em bônus de vitórias em corridas e você pode imaginar que as três pole positions e as quatro vitórias na Superpole lhe renderam algumas notas extras.

Com os bônus do campeonato e outras 27 corridas em 2019, seus ganhos podem ser muito altos nesta temporada. Seu sucesso sem precedentes foi tal que deve ter deixado o contabilista da Ducati suando frio. É um bom problema para o fabricante italiano, mas com Danilo Petrucci e Jack Miller sem contrato no final desta temporada, haveria potencial para mover o líder da série WorldSBK de volta para o paddock do Grand Prix.

Bautista sairia? Isso é mais difícil de saber, mas se ele fosse, certamente sairia com um salário de base muito melhor em comparação com o deste ano. O leitor do Blog Maniamoto poderá lembrar que Jorge Lorenzo ganhava também um valor muito alto na Ducati. Lembro, no entanto, que um dos motivos do término do contrato de Jorge, além dos resultados pífios nas duas temporadas, foi o aspecto financeiro. Poderá também alegar que, com o Álvaro no Superbike, a Ducati vende mais motos na segunda-feira.

Especula-se que no contrato de Bautista possa ter uma cláusula especial. Battistella é geralmente considerado como um dos melhores operadores de paddock do MotoGP. Ele é um gerente que é conhecido por sua capacidade de sempre cuidar dos melhores interesses de seus clientes, mas também deixa algo na mesa para que as equipes e os fabricantes fiquem satisfeitos com as negociações. Seria uma surpresa se um operador tão inteligente não tivesse negociado algumas cláusulas para dar a Bautista uma via potencial para o MotoGP e com os ganhos do espanhol aumentando consideravelmente a cada final de semana, chegará um momento em que a motivação para fazer uma mudança começará a ser sentida em Bolonha.

Aconteceu com a Ducati em 2003 com Hodgson, a história poderia se repetir em 2019? As corridas do fim de semana do WorldSBK estão bem mais interessantes, e mesmo disputando o segundo lugar, alguns pilotos acreditam que estão participando das melhores disputas que tiveram nos últimos tempos.

Agora: e o Alvaro?