Ducati 2021: Viñales antes de Lorenzo.

204

“Quem não quer Marquez? Todo mundo quer. Há apenas uma marca que não consegue pensar em tê-lo, por razões óbvias, que é a Yamaha”
Paolo Ciabatti – Diretor desportivo da Ducati

“Ainda está tudo muito verde.” É o que quase todos os gerentes de equipes do Campeonato Mundial de MotoGP dizem ao falar sobre o mercado de 2021. Em 2020 havia apenas uma sela vazia na KTM, e foi preenchida esta semana por Iker Lecuona – piloto da Moto2.

Mas não se iludam, o verde é só na aparência. Todas as equipes estão se movimentando para “fisgar” os melhores pilotos para as suas selas. Ninguém quer ficar fora do jogo. A Ducati é uma das fábricas que já iniciou os seus contatos.

No caso da fábrica italiana, eles acreditam que não poderão amarrar tudo antes dos outros- por exemplo, a Suzuki deve fechar com Rins e Mir antes do Catar em 2020. Eles também aguardam uma decisão que pode marcar o caminho da Ducati – Andrea Dovizioso – deverá decidir se vai ou não continuar a conclusão do próximo curso.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é 15715706684222-1-1024x682.jpg

Dovi tem sido bastante criticado pelos torcedores devido “a sua apatia” durante as corridas. Crutchlow, Iannone, Lorenzo, Petrucci, Miller são considerados pilotos fortes, mas, no final, todos eles andam atrás de Dovizioso. Nas qualificações, ele quase nunca é o mais eficaz, mas na corrida sempre obtém o máximo possível. Desde que Dovi entrou na Ducati, independentemente de quem esteve ao seu lado na caixa, ele sempre foi o número 1.

Em outras palavras, perder o seu atual líder não significa que os que estão em Bolonha estejam dispostos a “levar o resto” para o lugar de um piloto de ponta. Lá sua lista é menor. Seus desejos, nesta ordem, são: Marc Márquez, Fabio Quartararo e Maverick Viñales. Mas eles sabem que enfrentar a contratação de um grande piloto é muito complicada.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é gp-del-giappone-2019-7.jpg

No caso do oito vezes campeão, eles sabem que, por qualquer motivo que Marc quisesse deixar a Honda e começasse a negociar com mais seriedade, certamente a operação seria economicamente muito alta. Por isso, existem poucas ilusões na Ducati com relação a Marc Márquez.

Mas há uma esperança. Talvez um dia Márquez se sinta compelido a mudar de fábrica, para se tornar uma “lenda maior”. “Ser bandeira da Honda por toda a sua vida ou ganhar campeonatos com motos diferentes?” — cedo ou tarde Marc deverá se confrontar com o dilema.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é 15715966132655-1024x681.jpg

Outra opção, embora escassa, é olhar para os nomes que aparecem abaixo na lista: Quartararo! Mais uma vez, ele está fazendo o seu melhor com grande lucidez, frieza e velocidade. Um jovem piloto que se comporta como um grande campeão. Ele ainda não venceu um GP; ele certamente ainda tem muito a provar, mas no momento ele é perfeito. É o número um da Yamaha.

A Ducati fez abordagens ao seu representante, que, por sua vez, sabe que a Yamaha está disposta fazer de tudo para retê-lo e colocá-lo em seu esquadrão oficial. Valentino Rossi declarou que seria loucura da Yamaha deixar FabioQ20 escapar. Já Carlo Pernat – empresário italiano de pilotos do MotoGP – acredita que a Yamaha já fez um pré-contrato com Quartararo.

Além disso, Fabio sabe que com a M1 sua pilotagem é muito mais competitiva e pode ser mais ainda nos próximos anos, mas isso não fica tão claro caso ele troque de montaria. Hoje ele sabe que poderá a curto prazo enfrentar Márquez. Por isso, é provável que ele esteja disposto a sacrificar algo monetário em favor de sua carreira.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é mmm-5-1.jpg

Contudo, o mais do que presumido desembarque do francês na Monster Yamaha pode fazer com que o Maverick Viñales tenha que encontrar um lugar fora dali, já que Valentino Rossi todo o dia que passa fica mais convencido a não se aposentar e continuar naquele esquadrão de fábrica. Para o pessoal da fábrica dos diapasões, “The Doctor” é o ícone deles e tem total liberdade para continuar.

Viñales nunca gostou de ser o número dois da equipe. Caso Rossi se aposente, a vinda de Quartararo só mudaria os nomes, mas não a sua posição atual. Assim, o desejo de ser o número 1 numa equipe de fábrica e montar uma moto vencedora pode fazer com que Viñales migre para a Ducati.

Os primeiros contatos já foram feitos — a formalização da intenção e a predisposição parecem estar num bom caminho. Em contraste a Fabio Quartararo, Viñales acredita que a sua pilotagem pode se casar bem com as menos dóceis Desmosedicis.

Para alguns críticos especialistas em MotoGP, Viñales é um piloto incompleto – sempre falta algo para ele ser fantástico: a largada, a primeira volta, ou algumas passagens no meio da corrida, ou a finalização. Ele é um piloto muito forte, mas infelizmente ainda não é constante para um GP inteiro.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é 15715045267647-1024x758.jpg

Quem perdeu muito crédito na Ducati foi Jorge Lorenzo, que vive uma temporada “pesadelo”. Suas últimas e contínuas atuações ruins com a Honda reduziram as esperanças de seu grande torcedor em Borgo Panigale — Gigi Dall’Igna. É claro que não se pode pensar em ser competitivo de um GP para outro, mas seria necessário pelo menos um lampejo de luz ou pelo menos uma volta aceitável nas quatro sessões de treinos ou em um QP, ou ainda durante a corrida. Mas nada disso está acontecendo.

Em Borgo Panigale eles não terão pressa como nos outros anos, quando assinaram com Pecco Bagnaia no inverno ou disseram a Lorenzo que ele não seguiria depois de Mugello. Agora eles querem observar com mais calma a evolução de Bagnaia, o qual eles esperavam mais, mas que ainda acreditam em sua recuperação, ou Jack Miller, que está vivendo a sua melhor campanha na classe rainha. Para 2020 eles também esperam recuperar a versão de Danilo Petrucci do início do ano em comparação com a segunda fase da temporada.

Mas, por precaução, eles também têm os nomes de jovens promessas, ou já realidades, no portfólio. Dois espanhóis estão nessa lista – Jorge Martín — já gostavam dele desde a época da Moto3, e também de Augusto Fernández, que Davide Tardozzi vem seguindo desde o Superbike Europeu. Os dirigentes já conversaram com ele para informar o interesse da fábrica na sua pilotagem.