Em 2020 Marc terá a RCV com sua imagem e semelhança.

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“2019 está quase no fim, mas 2020 já começou”, é o que afirmou Marc Márquez durante os testes em Misano, e quem ler essa declaração como uma ameaça não está totalmente errado. O oitavo título mundial de Marc Márquez é quase uma formalidade que acontecerá na Tailândia ou mais tardar em Montegi.

No teste Marc Márquez cuidou logo de se livrar do pneu macio novo ofertado pela Michelin para focar no seu trabalho de costume, e deixou a briga pelos ponteiros do relógio para os demais competidores. Marc tinha tudo o que precisava nos boxes: 4 motocicletas diferentes para decidir quais rumos tomar com o projeto de 2020.

Se Marc mostra suas habilidades nas pistas, a Honda faz sua mágica nos seus departamentos apresentando inovações e soluções. Enquanto os concorrentes lutavam para descobrir como derrotar Marc, os japoneses já estavam olhando para o futuro.

“Quais os objetivos da nova moto? Como torná-la mais rápida e fácil de guiar?”, talvez a segunda pergunta interesse muito Jorge Lorenzo, com apoio de Cal Crutchlow, que querem uma RCV menos extraterrestre, mas parece que os homens de Tokyo não querem ouvir os demais.

“Marc é nossa prioridade para o desenvolvimento”, diz Takeo Yokohama. Essas não eram apenas palavras, mas fatos. Afinal, é difícil pensar de outra maneira quando você tem um piloto que conquistou 5 títulos dos 6 disputados até o momento na categoria principal, e como foi dito anteriormente, o sexto título é quase uma formalidade já pronta.

Podemos argumentar que ele é o único que consegue tirar leite de pedra na RCV, mas isso não parece ser um problema para os chefões da Honda. A RCV pode não ser a melhor moto do gride, mas é a melhor para Marc Márquez, e isso é o suficiente.

Na Honda, Lorenzo esperava oportunidades para fazer como fez na Ducati: Oferecer sua experiência e sensibilidade para projetar uma nova moto, não apenas para ele, mas para todos os pilotos. Talvez tenha sido um pouco ingênuo.

Por conta das lesões, Jorge Lorenzo andou apenas o primeiro dia de testes em Misano, enquanto Marc Márquez dava um volta atrás da outra sem parar, pulando em cada uma das quatro motos diferentes que foram ofertadas para teste pela Honda. Algumas das motos pareciam verdadeiros Franckesteins de duas rodas com as diferentes peças montadas.

Marc acumulou kms e ofereceu sugestões aos engenheiros. A Yamaha não conseguiu convencer seus pilotos com a evolução da M1, a Ducati não apresentou um verdadeiro protótipo da GP20.

2020 ainda não começou mas podemos facilmente brincar de adivinhadores: Marc ainda será o favorito e terá uma moto com sua imagem e semelhança.