Especial: Como Rossi vê o seu atual momento no MotoGP?

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Um novo ano começou e muitos seguidores do MotoGP estão fazendo a mesma pergunta: será a última temporada de Valentino Rossi no esporte antes de mudar para uma segunda carreira – talvez ao volante de um carro de corrida de resistência – ou será que o nove vezes campeão mundial vai contestar a sua 21ª temporada, um recorde na classe rainha das corridas de motos Grand Prix?

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Rossi passou parte de dezembro dirigindo um carro de Fórmula 1 no circuito espanhol Ricardo Tormo, em uma troca única Yamaha / Mercedes, com o seis vezes campeão mundial de F1 Lewis Hamilton. Mais tarde, Rossi juntou-se ao amigo Alessio “Uccio” Salucci e ao irmão Luca Marini no circuito Yas Marina, em Abu Dhabi, onde o trio terminou em terceiro no geral nas 12 horas do Golfo, dirigindo uma Ferrari 488 GT3.

A troca de moto / Fórmula 1 de MotoGP com Lewis Hamilton em Valência foi montada como um show, mas acabou sendo muito diferente.

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Rossi ficou muito feliz por isso – “Quando a ideia surgiu, eu disse a mim mesmo: “Isso é legal”. Mas, nesses casos, você está sempre arriscando a entrar numa roubada. Você vai lá, faz 20 voltas e depois quatro horas de fotos. Então eu disse: “Estou indo, pessoal, mas quero um dia de verdade, como na Ferrari: 70 a 80 voltas, sair do carro no final do dia satisfeito. E foi isso o que aconteceu”.

Rossi fez 1:13.0 e Lewis de manhã fez 1: 11.7, mas ele deu apenas cinco voltas. Foi um teste real; Vale trabalhou com a sua equipe e Lewis também o ajudou muito. “A partir daí, para ir mais rápido, ainda leva um tempo; você tem que entender e estudar. Mas valeu a pena”, comentou o italiano no final do evento.

Rossi também respondeu uma pergunta que estava há muito tempo “no ar”: tivesse ele conquistado o título mundial de MotoGP em 2006, teria ido à F1?

“Não. Eu estava mais perto de fazê-lo em 2006 no teste de fevereiro em Valência. Sentamo-nos em uma mesa com os caras da Ferrari e nos perguntamos o que queríamos fazer. Ofertaram um programa sério. Não imediatamente em uma Ferrari, mas, no início, dirigindo outro carro mais lento, o do piloto de testes. E lá, eu decidi que não iria conseguir.”

Estamos aqui falando de dois grandes campeões — Rossi e Hamilton. Recentemente, no entanto, um outro campeão – Casey Stoner – depois de acompanhar o Vale e ver o esforço que ele faz –, ficou convencido de que o italiano pode ainda andar na frente. Mas acrescentou – “Rossi precisa olhar para os jovens pilotos da VR46 Riders Academy e aprender com eles, arriscando mais”.

Segundo Rossi, Stoner era um mestre em arriscar. “Ele sempre andava até o limite, mesmo quando a moto não estava boa. Casey foi um grande oponente para o italiano; no nível de puro talento, talvez o mais forte de todos. Ele fez coisas impressionantes em sua curta carreira. “Foi difícil com Stoner; ele foi um piloto difícil, e não tivemos um ótimo relacionamento. Eu li que ele está sofrendo de fadiga crônica. Espero que ele volte a ficar bem e que, pelo menos, tenha uma vida normal”, emendou o doutor.

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Quando se fala de Stoner, não se pode esquecer das recentes declarações de Jeremy Burgess, seu ex-técnico chefe, dada em Phillip Island e postadas aqui no Maniamoto – “Gostaria de perguntar a Valentino se ele ainda se sente o mesmo que venceu Stoner em 2008 em Laguna Seca. Se ele se sente assim, é certo que ele continue”.

Rossi não demorou muito para responder ao seu ex-chefe de equipe – “Eu acho que sou. Existem várias interpretações no que Jeremy disse. Infelizmente faz 12 anos e a situação mudou; meus oponentes são muito fortes e eu estou mais velho. Mas o instinto é o mesmo. E eu acredito nisso porque, se não fosse assim, seria realmente a hora de dizer que é o suficiente”.

Em 2020, David Muñoz substituiu Silvano Galbusera como chefe de sua equipe, com o objetivo de injetar um novo ânimo. Essa mudança chegou tarde demais? Na opinião de Rossi “Com Silvano, nos saímos muito bem em 2014, ’15 e ’16. Começamos a patinar nos meados de 2017. Poderíamos ter feito isso um ano antes? Talvez sim, mas pensei que também poderia fazê-lo dessa maneira”.

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Rossi sabe que 2020 será decisivo para ele. Mas será que ele está vivendo este momento de maneira diferente? Ele acredita que sim – “Eu gostaria de ter um pouco mais de tempo. Infelizmente hoje no MotoGP tudo é decidido no início do ano. Vou precisar de um pouco mais de paciência até o meio da temporada. Vou conversar com Lin [Jarvis] e a Yamaha para ver o que eles pensam”.

Valentino declarou que conversa principalmente com o seu pai e mãe, Albi [Alberto Tebaldi, gerente de VR46], Uccio [Salucci, amigo] e Carlo [Casabianca, personal trainer] sobre o seu futuro. “Meu pai e minha mãe – e também os outros – querem que eu continue. Mas, vamos lá, você tem que ser realista. Eu gostaria, mas temos que ser mais competitivos do que em 2019. Caso contrário, é melhor não. Então, tudo bem…”

A Yamaha, de seu lado via Jarvis, declarou várias vezes que sempre haverá uma moto para ele. Rossi está feliz por saber que a fábrica ainda acredita na sua competitividade. “Isso é importante. É uma grande honra e também um grande luxo para um piloto desistir de correr quando ele decide. Normalmente eles demitem você.”

Hoje a Yamaha tem um grande problema – duas selas para três pilotos. E Rossi declarou que os membros da fábrica seriam loucos em deixar Quartararo escapar para outro time. Vinãles já deixou claro que não aceitará ser transferido para a Petronas Sepang Racing Team, e talvez Quartararo não aceite ficar lá. Vale, em matéria publicada na motorsport.com, declarou que “não via diferença em ir para a equipe Petronas”.

Mas será que o maior campeão do MotoGP moderno aceita ir mesmo para a equipe satélite Petronas?
“Eu gostaria de ficar onde estou, mas, como eu disse, somos três para dois lugares e você precisa pensar em um terceiro lugar. E para mim, mesmo que seja a Petronas, o time não me parece ruim. Mas talvez Viñales esteja indo embora. Ou Quartararo mude de moto. Quem sabe o que ele está pensando?”

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Sobre a vinda de Jorge Lorenzo como piloto de testes, ele “amenizou” seu comentário prévio – “Eu acho que seria uma boa ideia fazer uma oferta a ele. Mas você precisa entender se Jorge quer ser um testador. Se eu tenho um Jorge motivado, que diz que não quer mais a pressão de 20 corridas por ano, mas ainda gosta de correr, na minha opinião, sim. Para mim, se ele entrar na Yamaha, ele será rápido”.

O que Rossi pode prometer aos fãs do MotoGP este ano? “O que posso prometer para 2020 é que farei o meu melhor. Vou me preparar ao máximo, tentando ser competitivo. Eu gostaria de fazer boas corridas e estar entre os três primeiros do campeonato.”

Para que isso aconteça é necessário que a Yamaha lhe dê uma moto mais veloz. “Quero uma Yamaha que seja 10 quilômetros por hora mais rápida na reta; que seja tão rápida quanto a Honda e Ducati. Eu sei, isso será difícil …”