Fabio Quartararo não tem treinador. Faz suas práticas sozinho.

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“Nas práticas, você entra na garagem para poder se conectar com a equipe. Nas corridas, é só você, com sua moto e sua mente”
Fabio Quartararo

No paddock, estão chamando-o de “antiMárquez”. Mas ele não gosta deste rótulo; ele quer apenas ganhar corridas. Com 20 anos de idade, FabioQ20 chegou ao MotoGP roubando as manchetes em maio deste ano, em Jerez, quando ele se tornou o piloto mais jovem da categoria rainha a fazer uma ‘pole”, superando o atual campeão da série de ‘poles” e atual líder do Campeonanto – Marc Márquez.

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O jovem francês, com uma moto não atualizada durante o ano, continuou impressionando pelas corridas de ponta e pelas conquistas de pódios na Catalunha, Assen, Spielberg e Misano, e é amplamente considerado o principal candidato a substituir Valentino Rossi na equipe de fábrica quando o tricampeão mundial se aposentar.

Quartararo admite que se sente lisonjeado pela atenção, mas prefere concentrar-se em seu trabalho; o aprendizado é sua prioridade número um. Nos fins de semana de corrida, ele é o primeiro a chegar à garagem e o último a sair, absorvendo informações como uma esponja de todos os membros da equipe.

Pressão? Quartararo já “está acostumado” à pressão. Ele ingressou na classe de Moto3 aos 15 anos, aclamado como o “novo” Márquez. A detentora dos direitos do MotoGP – Dorna – até mudou as regras para que Quartararo pudesse entrar no campeonato mundial um ano antes do requisito mínimo de idade de 16 anos.

A decisão da Petronas Yamaha SRT de trazê-lo para o MotoGP nesta temporada com apenas uma vitória de Moto2 em seu currículo foi recebida com algum descrédito. Contudo o jovem francês sempre acreditou nele: “Eu estava esperando esse momento desde criança. Quando recebi o telefonema da Yamaha, sabia que não poderia cometer erros. Estou enfrentando este novo capítulo como meu pai me ensinou: com comprometimento, mas antes de tudo, me divertindo.”

Ele reconhece que estrear na Moto3 como um ‘novo Marc´foi uma motivação, mas também uma enorme pressão. Sem experiência, ele tentou seguir o caminho do campeão espanhol, mas acabou tropeçando ao priorizar vitórias em vez aprender com a moto e com os circuitos. Além de se machucar, os resultados não vieram conforme o esperado.

Agora em sua estreia na categoria rainha, novamente o francês é comparado ao sete vezes campeão mundial. Para FabioQ20, a situação atual é totalmente diferente porque ele está mais experiente, mais focado em aprender a nova categoria, e, acima de tudo, em se preservar fisicamente.

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Ele aprendeu em sua caminhada que ter confiança, acreditar em si mesmo, é peça fundamental para conquistar vitorias. “Confiança é algo que você aprende e lida. Por exemplo, eu não tenho um treinador como muitos pilotos. Eu treino completamente sozinho. Eu escuto minhas músicas e me concentro no que estou fazendo.”

A concentração é “tão poderosa” que ele chega a sonhar que está pilotando, muitas vezes indo ao solo após um acidente, durante o sonho. “É uma sensação estranha, mas conversando com outras pessoas no paddock, descobriu que é algo usual entre os pilotos”.

Embora sonhe com acidentes, ele não pensa neles quando está correndo, já que corre focado 100% em si mesmo e nos resultados que deseja obter.

A tatuagem “familiar” que propositalmente mostramos parte dela na capa desta matéria diz muito sobre ele. “É verdade. Minha família é tão importante – minha mãe, meu pai e meu irmão. Eles fizeram muitos sacrifícios por mim. Por muitos anos, estávamos viajando de Nice, minha cidade natal, para os circuitos na Espanha. Nós não éramos ricos. Como passamos muito tempo na estrada, a equipe se torna sua segunda família. Assim, é importante para mim ter um bom relacionamento com a equipe.”

Ele acredita que o pódio conquistado na Áustria – uma pista que não favorece a Yamaha –, e em Misano, foram importantes para o seu crescimento: “Spielberg é uma das faixas do calendário com a frenagem mais agressiva e uma das mais difíceis para mim. Não cometi erros, o que me impressionou. Normalmente, em uma corrida, você sempre comete um pequeno erro, espalhando em algum lugar. Mas lá nunca perdi um ponto de frenagem ou um ápice uma única vez. Quando você faz 28 voltas sem erro, isso mostra que você é realmente forte.”

Misano foi especial para ele porque soube andar na frente, sem referências, resistindo a pressão exercida por Marc Márquez durante 23 voltas.

Com humildade, ele acha que ainda é cedo para dizer que vai ganhar uma corrida nesta temporada – “O objetivo agora é ser o melhor estreante. Preciso ganhar experiência e manter a calma, uma qualidade que quero melhorar”.

Enfim, deixemos de lado por ora qualquer comparação entre FabioQ20 e Márquez. Fabio aprendeu na solidão de seu capacete que é importante “ser para ti mesmo o mundo”, para a nossa satisfação…