Jorge Lorenzo conseguirá tornar a Yamaha mais competitiva?

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“Tenho apenas um objetivo em minha vida – vencer o Campeonato do MotoGP”
Gigi Dal´Ignea – Gerente geral da Ducati

Todos querem vencer e daqui a pouco as fábricas que competem no MotoGP estarão entrando no circuito de Sepang, na Malásia, dando início a temporada 2020. Serão três dias de teste dedicados a pilotos de testes e novatos de todas as marcas, além dos pilotos oficiais das duas marcas que ainda não conquistaram um pódio — Aprilia e KTM.

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De domingo a terça-feira teremos 16 pilotos em testes particulares que não poderão ser seguidos na televisão nem haverá tempo oficial, exceto os fornecidos pelas próprias equipes. Entre todos os participantes, há dois nomes que ganharão os holofotes: Álex Márquez, que será visto pela primeira vez com as cores da Repsol Honda e Jorge Lorenzo, que retorna em seu novo papel como piloto de testes da Yamaha.

Jorge terá na garagem uma unidade do teste de Jerez e um protótipo de 2020 para prepará-lo para o teste oficial da próxima semana. Os japoneses Nakasuga e Nozane irão auxiliar Lorenzo no guidão da M1.

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Segundo Gigi Dal´Ignea – “Potência é poder no MotoGP”. Isso nos leva a uma reflexão – Jorge Lorenzo conseguirá tornar a Yamaha mais competitiva – considerando que a moto perde em velocidade máxima para as outras fábricas?

Os V4s não desfrutam de uma grande vantagem nas retas, mas o suficiente para fazer uma diferença crucial durante uma corrida. No GP do Qatar do ano passado, o V4 mais rápido foi o da RC213V de Marc Márquez, a 218,7 mph / 352 km / h, cerca de 2 mph / 3,5 km / h melhor que o mais rápido em linha, a Suzuki GSX-RR de Joan Mir .

Em Mugello, o V4 mais rápido foi o da Desmosedici de Andrea Dovizioso, a 351,7 km / h, a 221,6 mph / 356,7 km / h, quase a mesma diferença entre os melhores quatro em linha, novamente a GSX-RR de Mir.

Essa vantagem ajuda o piloto a ultrapassar a moto rival na reta. Ela também permite que o piloto antecipe o seu movimento de frenagem, oferecendo-lhe mais opções em suas táticas, porque ele não precisa se arriscar o tempo todo, como Marc Márquez habitualmente fazia antes da Honda lhe entregar um novo motor mais potente.

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Ultrapassar em linha reta também ajuda no desempenho ao longo da corrida, porque o piloto não precisa forçar tanto o pneu dianteiro com os freios, nem destruir o pneu traseiro ao ser agressivo com o acelerador na saída de curva. E, claro, ele não precisa se arriscar perder a frente tentando recuperar os metros perdidos na reta.

Assim posto, quando olhamos para os resultados de 2019, a Yamaha com seu motor em linha (inline4s) conquistou a pole position nove vezes, embora tenha vencido corridas apenas duas vezes. Isso significa que a Yamaha é uma moto muito rápida na qualificação, mas não forte o suficiente durante as provas.

Em 2019 tivemos apenas três pilotos que conquistaram a pole position. Marc conquistou a pole dez vezes e Maverick e Fabio compartilharam o restante delas. Esse fato prova que a Yamaha é rápida o suficiente quando o piloto anda sozinho. Em contraste, eles tornam-se menos competitivos ao longo das corridas quando outras variáveis como tipo de asfalto, temperatura, características do circuito e posição do piloto na corrida, entram em jogo.

Em outras palavras, a Yamaha é uma moto rápida durante a classificação porque o fator pneu é menos importante em uma volta rápida. Com o desgaste de pneus durante a prova, notadamente o traseiro, a Yamaha não é uma arma forte o suficiente para lutar pelas vitorias contra Marc Márquez.

Para este ano a Yamaha traçou como meta melhorar o chassi e a potência do motor (acrescentou também um novo exaustor, apêndice aerodinâmico e braço oscilante em fibra de carbono). Similar à Suzuki, a maior preocupação agora é não perder os seus pontos fortes apenas para ganhar velocidade máxima. “Sempre tentamos manter um bom equilíbrio na curva e melhorar o desempenho total”, declarou o gerente geral de projetos Takahiro Sumi.

Os compostos traseiros Michelin do ano passado foram mais fortes que a borracha de 2018 e o pneu traseiro de 2020 é novo e mais forte ainda; então isso ajudará a Yamaha a preencher esse déficit? Será um fator contribuidor importante para melhorar o desempenho da moto, uma vez que o desgaste de pneus, notadamente o traseiro, foi sempre o grande ponto fraco da Yamaha. Associe este fato ao melhor gerenciamento da parte eletrônica, após a contração de um especialista “roubado” da Ducati.

Enfim, tudo o que a Yamaha precisa é de mais potência e um maior gerenciamento dos pneus, e esses desafios estão aí para serem resolvidos. Os engenheiros sabem que controlar esse poder, especialmente o poder negativo – frenagens mais fortes e a estabilidade da moto nas curvas – será a grande pedra no caminho.

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A assinatura de Lorenzo para a equipe de testes da Yamaha é uma forte indicação de que a marca seguirá por este caminho técnico: alta velocidade nas curvas e manuseio preciso de potência. Eles já foram campeões com esse motor em linha e não há evidências de que irão mudar para um V4.

Lorenzo será muito necessário para manter o DNA da M1 com o seu estilo suave e limpo de pilotar. Espera-se, no entanto, que ele cometa “alguns abusos” durante a temporada — será que ele sai de curinga em Assen? Quanto a Quartararo, sabemos que ele pode improvisar; Vinales segue rezando…