Jorge Lorenzo: Não tenho medo de nada e nem de ninguém.

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A aventura de Jorge Lorenzo na Honda começou com um 13º lugar em Losail. Três pontos importantes para o antigo piloto da Ducati, que chegou ao primeiro campeonato em precárias condições físicas e além de uma costela fraturada de brinde após a etapa. Ainda levará um tempo para ele desdobrar seu estilo de condução ‘martillo’ com o qual ganhou tantas corridas no passado. “Eu gosto de competições onde posso imprimir o meu ritmo, porque ser muito preciso é uma das minhas qualidades.”

A primeira vitória nunca esquece

O maiorquino, que recentemente se mudou para a cidade de Lugano na Suiça, faz um flashback das etapas mais importantes de sua carreira em uma entrevista para a DAZN. Desde 2015 Jorge Lorenzo sente-se muito orgulhoso porque foi a partir dali que quebrou a super sequencia de títulos de Marc Marquez. “Foi decidido na última curva da última corrida, fui campeão do mundo, foi a terceira vez. Foi emocionante e difícil de alcançar, mas não foi tão emocionante quanto o primeiro(2010)”. Jorge Lorenzo chegou ao MotoGP em 2008, pilotando uma Yamaha, ao lado de um campeão já muito bem estabelecido, estamos falando de Valentino Rossi. “Devido a imprudência ou ignorância, quando cheguei ao MotoGP não tive medo de ninguém. E eu disse publicamente que não queria mitificar Valentino Rossi, ninguém era imbatível. Talvez seja por isso que as pessoas me veem como arrogante, mas não tenho medo de nada nem de ninguém.”

O incidente de Assen

Sem medo, mas sem arrogância, ciente de praticar um esporte onde a vida viaja no fio da navalha Jorge Lorenzo tem uma visão muito nobre do motociclismo: “Fazendo o seu melhor, sempre superando a si mesmo, respeitando os outros pilotos, porque nós jogamos com nossas vidas, o risco excessivo não faz sentido. Você pode gostar mais de uma pessoa, há pessoas com quem você tem mais afinidade do que outras, mas eu não odeio ninguém”. E depois há os acidentes que inconscientemente condicionam o estilo de dirigir, a maneira de lutar na pista. Como o de 2013 em Assen, inesquecível. “É uma luta constante entre seu cérebro, seu coração e seu punho acelerando. Isso me limita, porque eu não quero cair, sou um pouco mais cautelosa, dou menos gás no acelerador ou freio antes do ponto ideal, não quero me machucar.”

O sonho de voltar a ser campeão

Um medo que compensa com suas melhores qualidades: a precisão, a regularidade, a saída da curva. Qualidades que lhe permitiram realizar seus sonhos: “Motocicletas são minha paixão. Quando criança você sempre sonha em ser alguém muito importante. Na minha infância sempre ficava claro que meu objetivo era ser campeão mundial. Você acredita em seu potencial e tem certeza de si mesmo, mas até que você se torne você pensa: “Eu posso fazer isso ou não?”. Quando você toma uma atitude, você sabe que pode fazer acontecer. Agora é apenas uma questão de repetição – concluiu Jorge Lorenzo – , com o resultado já pronto parece fácil mas é muito complicado o caminho até o sucesso”.

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