KTM: sonho que se tornou realidade.

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“Sem Marquez, todos ficam felizes”
Valentino Rossi

Quando o grande piloto dominador dos últimos anos está ausente, os rivais crescem; todos se veem com possibilidades de ganhar e acontecimentos estranhos se propagam. Como Zarco conquistando a pole e Binder a vitória.

Sim leitor do Maniamoto, você não está sonhando. Brad Binder venceu de maneira convincente uma prova do motoGP. Na verdade, Binder mostrou que tinha bom ritmo desde a primeira prova da classe rainha. “Depois da vitória em Valência na Moto2 disse a mim mesmo: quem sabe quando poderei fazer de novo? Consegui chegar ao terceiro GP e … “

Associe esta contundente vitória ao fiasco absoluto dos três pilotos favoritos para conquistar o Campeonato Mundial. Fabio Quartararo foi sétimo, Andrea Dovizioso 11º e Maverick Viñales 14º. FabioQ20 e M. Vinãles creditaram ao asfalto e pneus o resultado ruim. “Estávamos numa pista de motocross, afirmou Fabio no término da prova. Rossi contestou a declaração de ambos ao dizer que sem público não há renda, e sem renda não há como investir em pavimentação. Mas a pista é boa e acidentes podem acontecer até treinando em casa.

Dentre as muitas estatísticas que inevitavelmente acompanham o primeiro sucesso de um piloto, a mais significativa é que desde 2013 apenas um piloto conseguiu vencer pelo menos um GP na temporada de estreia: Marc Marquez. Todos sabemos que Binder não é Márquez mas o que ele fez hoje é realmente “muita coisa”. Acima de tudo com uma KTM; uma moto que nunca havia triunfado antes na história do MotoGP e que agora, com a ajuda especial de Dani Pedrosa, parece pronta para ganhar outras provas do campeonato.

Assim que a prova terminou, o espanhol Pedrosa declarou: “Emocionado e feliz por esta primeira vitória da KTM e de Brad Binder no Motogp”. Para se ter uma ideia da grandeza do feito da KTM — a última vitória na categoria rainha com uma motocicleta não fabricada no Japão ou na Itália foi na Iugoslávia em 1973.

A KTM parece agora estar ao mesmo nível, senão melhor, que as três marcas dominantes da classe (Honda, Yamaha e Ducati). Quando perguntaram a Zarco se ele lamentava não ter sido mais persistente com a KTM, o francês respondeu — “Brad está fazendo o trabalho que eu não fui capaz de fazer no ano passado. Tive de tomar esta decisão para conseguir um pouco de liberdade. Eu estava ganhando dinheiro, mas fazendo merda. Não concordo com isso. Sem arrependimentos”.

Do outro lado, um efusivo Binder continuava…“É a realização de um sonho, e que ainda não entendi direito: é uma loucura. Sempre sonhei com isso. Tentei manter os pneus o máximo possível, depois comecei a andar mais rápido, estava rodando com bons tempos. Só no final tive problemas com os pneus, mas tudo correu bem”.

O saudoso Jorge Lorenzo também comentou a grande atuação do sul-africano: “Ele é um piloto muito bom, e eu sempre disse isso. Muito técnico nas curvas, adoro como ele entra nelas, deslizando a roda traseira de maneira uniforme e controlada. Irá se dar muito bem no motoGP”.

Pouco se sabe sobre Binder, porque até agora, com exceção dos “mais próximos”, poucos estavam dispostos a apostar em seu cavalo. Ele começou no kart quando tinha apenas oito anos. Ficou dois anos nesta categoria antes de experimentar esporte com duas rodas, quase como uma atividade a ser realizada paralelamente à do volante. Mas as vitórias vieram imediatamente e apostar tudo nas motos tornou-se quase uma obrigação depois das vitórias nas categorias 50, 125 e 150.

Aos treze anos, Brad Binder tinha vencido praticamente tudo dentro das fronteiras nacionais , tanto que deu o grande salto mudando de continente e participando do Aprilia Superteens Series, na Inglaterra, obtendo um segundo lugar e uma participação na Red Bull Rookies Cup já em 2009. Lá, ele disputou três temporadas, fazendo boas atuações, mas sem mostrar resultados emocionantes, e foi muitas vezes acusado de “desligado”.

Mas foi em 2011 que a grande oportunidade chegou para ele, quando o lesionado Luis Salom foi forçado a perder o Grande Prêmio de Indianápolis e Brad Binder se viu em sua primeira RW Racing Aprilia. No mesmo ano ele também participou de outro Grande Prémio, mas foi na RW Racing Team que ele convenceu, tanto que no ano seguinte lhe foi confiada a segunda moto da equipe, na mesma casa de Luis Salom.

Em 2016 ele conquistou o campeonato da Moto3, e, em 2019, terminou em segundo lugar na Moto2. Subir hoje o degrau mais alto do pódio foi também um presente de aniversário antecipado, já que ele nasceu em 11 de Agosto de 1995. Binder tem a chance de repetir esse feito nas duas próximas corridas, que serão realizadas no quintal da KTM. “Nós temos que ser realistas. Aqui tudo correu bem, mas também é verdade que confiei muito em todo o pacote: aguardo Zeltweg com grande impaciência”. Nós também!

Enfim,a ascensão de Brad Binder ao degrau mais alto do pódio, está começando a parecer que a HRC contratou o piloto errado da KTM. Com a KTM agora claramente competitiva e material de fábrica para as equipes satélites Petronas, Pramac e Tech3, há quatorze motos que são capazes de pontuar pódios e vitórias. Por que você escolheria a mais difícil de pilotar?

Abaixo, a tabela de classificação:

1. Fabio Quartararo (França, Yamaha), 59 pontos
2. Maverick Viñales (Espanha, Yamaha), 42
3. Franco Morbidelli (Itália, Yamaha), 31
4. Andrea Dovizioso (Itália, Ducati), 31
5. Brad Binder (África do Sul, KTM), 28