Marc Márquez: “Ele ainda não atingiu o teto de sua capacidade”.

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“Ele absorveu tudo dos mitos que o precederam. Ele nunca desiste, mesmo que o espanquem”
Marco Lucchinelli

Quer coisa melhor que campeões falando sobre campeões? Campeões escrevendo sobre campeões? Melhor, campeões julgando, analisando e elogiando campeões? A ‘La Gazzetta dello Sport’(Gazetta.it/Moto/) escolheu como despedida do ano dois campeões mundiais da F-1 e do MotoGP, duas feras poderosas dos anos 80, para analisar sobre os dois melhores pilotos da atualidade, que, sozinhos, escreveram já uma parte grande da história de seus esportes – o britânico Lewis Hamilton (Mercedes, F-1, 34 anos, seis vezes campeão mundial) e o catalão Marc Márquez (Honda, MotoGP, 26 anos, oito vezes campeão mundial ), da equipe Repsol Honda . Os ‘escritores’ são o britânico Damon Hill, campeão de F-1, em 1996, com a Williams-Renault e o italiano Marco Lucchinelli, campeão das 500cc, em 1981, com uma Suzuki.

Hill acredita que seu compatriota é o melhor e está a caminho de se tornar invencível “graças ao seu enorme talento, não apenas na pista, mas também nos treinamentos fora dos circuitos”. Por outro lado, Lucchinelli, em um texto impecável, cheio de elogios e, acima de tudo, com julgamentos sábios e precisos, acredita que o garoto de Cervera, que se tornou o piloto da década, bem como Hamilton, tem muito segredos e razões pelas quais está varrendo a categoria desde que pisou pela primeira vez no MotoGP.

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Luchinelli (foto acima), que correu pela Suzuki, Honda e pela italiana Cagiva, estreou no MotoGP de 350cc com uma Yamaha, ganhando seis grandes prêmios dos 87 que disputou. Ele acredita que Marquez “torna tudo mais fácil porque, a partir de seu enorme talento, foi capaz de mudar o rumo de seu esporte, reescrever o MotoGP com o seu estilo agressivo, como Valentino Rossi o fez na sua época, o qual hoje Marc tenta supera-lo em seus números fabulosos. “Márquez é um verdadeiro show em todos os sentidos.”

Uma verdadeira esponja

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Lucchinelli, como costuma comentar Emilio Alzamora, gerente de Márquez, quando questionado sobre as virtudes do espanhol, estas coincidem com as do campeão das 125cc de 99: “Marc é uma esponja de verdade porque, além disso, ele teve a sorte de nascer nos tempos modernos ou seja — ele viu os campeões correndo na televisão, em vídeos, estudou os circuitos antes de correr neles graças ao Play Station e absorveu tudo o que era importante para poder atuar com força na pista”.

Em seu texto, o campeão da Suzuki (depois de Marco, apenas Franco Uncini, Kevin Schwantz e Kenny Roberts Jr. conseguiram ser coroados com uma Suzuki em 1982, 1993 e 2000 ) conta como observou “na pista e apenas na pista” a Barry Sheene, Giacomo Agostini e Kenny Roberts para aprender. “No entanto, Marc toma café da manhã, almoça e janta motos desde a infância, então ele explica – “Desde que nasceu, ele foi aprendendo com os melhores, especialmente com ‘Vale’, dos quais, possivelmente, até aprendeu a conversar com os jornalistas”.

Sempre buscando um novo limite

Lucchinelli, como todo o “paddock” — os 2.000 membros do parque fechado do MotoGP — não sabe como responder à pergunta sobre qual é o limite de Márquez. “Desconheço o quão bom e bravo Marc é tecnicamente; só sei que ele é um piloto que resolve os seus problemas de sexta a domingo, e sempre está entre os três primeiros, procurando o seu limite em curvas lentas; é por isso que ele cai tanto, mas depois vence porque se preparou melhor do que ninguém para a corrida”. Lucchinelli não está muito interessado em refletir se a Honda de Marc é a melhor moto ou não; se é uma moto difícil e física ou não; o campeão italiano sabe apenas que “nas mãos dele parece a melhor da grid”. Nesse sentido, ele elogia a existência das práticas “nas quais ele cai “quatro vezes” e, no domingo, ganha”.

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Quanto às qualidades do bicampeão mundial – o garoto que ameaça os recordes de Giacomo Agostini e de Valentino Rossi – Lucchinelli acredita que “a força de Marc nunca é desistir. Muitos, depois de ser derrotados três vezes na última volta, na última curva, por Andrea Dovizioso, teriam, talvez, mudado de estratégia. Marc não… ele manteve a mesma estratégia em que venceu na última volta ou curva”.

Marc pode melhorar

Lucchinelli elogia que Marc “nunca lamenta, nunca culpa ninguém, ou a moto ou os pneus, por suas derrotas ou quedas; nunca procura desculpas”. E, nesse sentido, “por mais incrível que possa parecer”, diz o italiano em seu texto, “acho que ainda pode ser melhor do que é, porque é muito jovem e já tem a malícia dos grandes campeões”. Nesse sentido, devemos lembrar que Alberto Puig, diretor de esportes da equipe Repsol Honda, comentou em 18 de dezembro que veríamos Marquez muito melhor em 2019 ” algo muito difícil de acreditar”. E ele conseguiu: dos 19 grandes prêmios disputados em 2019, Márquez ganhou 12, ficou em segundo lugar em outros 6 e caiu em Austin(Texas, EUA) devido a um problema técnico com a sua moto.

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Em um de seus últimos parágrafos, Lucchinelli se atreve a fazer uma brincadeira e explica que “se eu pudesse, diria a ele — “veja, Marc, enquanto você se diverte, jogue um osso de vez em quando para que os outros também possam se divertir. Quero dizer, você não precisa ganhar tudo sempre”. É claro que, antes dessas últimas linhas, Lucchinelli reconhece em seu texto que “quando se é jovem e consegue vencer seguidamente, você só quer continuar vencendo”.