Marc Márquez transforma em vento o sonho de Viñales.

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“Lembro-me perfeitamente do dia em que pedi a Valentino para parar Marc. Quando em 2014 eu o vi vencer 13 corridas, eu disse a Vale – ‘este piloto vai nos matar”
Giacomo Agostini

Marc passou toda a corrida atrás de Maverick e, na penúltima volta, superou-o para forçar a queda do líder da Yamaha no último turno e vencer seu GP nº 11 nesta temporada.

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“Vou começar a fazer vodu de você. Você é muito bom; você é um animal e eu temo que você supere os meus recordes de vitórias e títulos; então amanhã eu começo as sessões de vodu.”

O italiano Giacomo Agostini, um verdadeiro mito, ícone do motociclismo mundial, possuidor de 122 vitórias e 15 títulos mundiais, pediu ao avassalador e insaciável Marc Márquez (Honda), 26 anos, que diminua o ritmo e não ultrapasse os seus recordes.

“Mas o que você está falando Giacomo? Você tem o dobro de títulos do que eu! ”, o Cervera respondeu,  que é como eles chamam o oito vezes campeão do MotoGP, antes de ‘Ago’ lhe entregar a bandeja, o troféu, após vencer o Grand Prix da Austrália, depois de passar por Maverick Viñales (Yamaha), dominante  em 17 das últimas 19 voltas da corrida, e, na penúltima volta,  não resistiu ao assédio final de Marc que causou o seu vôo, indo ao solo a três curvas da linha de chegada.

A admiração de ‘Ago’ por Márquez

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Mais tarde, Agostini reconheceu que, de fato, ele temia Marc por suas marcas incríveis. “Lembro-me perfeitamente do dia em que pedi a Valentino para parar Marc — Quando em 2014 eu o vi vencer 13 corridas, eu disse ao Vale – ‘este piloto vai nos matar’. E ‘Vale’ não acreditou, mas eu, na verdade, depois de ver a sua autoridade, sua determinação e coragem nesta corrida, e como ele luta depois de já ter sido proclamado campeão, sim, acho que você deve começar a pensar que estamos diante de um monstro.”

“Ago” é especial. Ele tem o dobro de títulos do que eu, e, desde que eu corria na Moto2, ele sempre vinha me ver e eu o agradeço por isso; ele é um mito.”, comentou Márquez em retribuição.

No mundo do ‘paddock’, Márquez é uma máquina vencedora. Não importa o circuito, o clima, o rival e as circunstâncias do grande prêmio. Marquez vence porque não quer ser segundo. Ele odeia perder.

Depois de conquistar seu oitavo título, ele começou a marcar o terreno de 2020 e, por enquanto, depois de adicionar sua quinta vitória consecutiva, sua 11ª vitória do ano, seu pódio 16 em 17 grandes prêmios, devemos lembrar que ele derrotou nas últimas três corridas o ‘novato’ revelação Fabio Quartararo (Yamaha), na Tailândia e no Japão e, hoje, Maverick Viñales (Yamaha).

Em busca da Tríplice Coroa

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A corrida era para Viñales. Ele era o grande favorito após liderar todos os treinos, deixando meio segundo de diferença para os outros no teste da pole de manhã, e liderando 25 das 27 voltas. Mas, no final, como sempre, Márquez venceu.

“Maverick foi o mais rápido, mas eu sabia que, se pudesse suportar seu começo brilhante, teria minha chance nas voltas finais, quando a moto tornar-se instável e quando o pneu traseiro acaba. Quando a dança começa, é a hora e a condição onde me sinto melhor”, disse o vencedor.

Com a sua vitória de hoje, Marc colocou a equipe da Repsol Honda a apenas um ponto da Tríplice Coroa, porque ele já tem o cetro de campeão e do campeonato de construtores.

A corrida concentrou-se no esperado duelo Viñales-Márquez, cujo início não foi bom para ambos. Viñales caiu da ‘pole’ para o sétimo lugar, e Márquez levantou a roda dianteira e perdeu terreno. A partir daí, enquanto Valentino Rossi, Andrea Iannone (Aprilia) e Cal Crutchlow (Honda) se revezam na liderança, os favoritos fizeram uma corrida de recuperação e iniciaram o tão esperado duelo tático e rápido.

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“Eu sabia”, explicou Marquez, “que se eu suportasse as primeiras dez voltas de Maverick, teria minhas opções. E a verdade é que isso me custou muito. Foi nesse momento, na volta 10, mais ou menos, quando passei por Cal (Crutchlow) muito bestialmente e nos tocamos, mas se Maverick me escapasse mais um ou dois segundos, eu perderia a corrida.”

Márquez continuou — “Emilio (Alzamora) me pediu para não arriscar porque esse circuito é muito perigoso, mas Alberto (Puig, chefe da Honda) me disse para “entrar” e lá estava eu duvidando se conseguiria me manter na traseira de Viñales.

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E … Viñales, que falhou em ultrapassar Marquez na curva quatro, tentou ultrapassá-lo na curva 10, que era o ponto em que isso já havia acontecido duas vezes na corrida. “Eu sabia que naquela frenagem na 10 tudo seria jogado, e eu fechei todas as portas. Não sabia que ele havia caído e continuei puxando como um louco.” E sim, Viñales, aquele ser tão apressado, fracassou, errou, já saiu instável da curva 9 e, antes da 10, na pressa de frear, perdeu o controle de sua Yamaha e deu a vitória a Marquez, de “mão beijada”.

Márquez continua adicionando recordes

Márquez viaja para a Malásia, onde a tripla asiática termina em Sepang, estando com 135 pontos — mais de cinco vitórias — à frente do segundo colocado Andrea Dovizioso (Ducati).  Ele fez 16 pódios em 17 corridas — 11 vitórias e 5 segundos lugares.

Com 81 vitórias no total, e a nove do mítico Angel Nieto (90), Marc caminha para o recorde absoluto de pontos ( 383 de Jorge Lorenzo, em 2010). Hoje ele soma 375 e já se tornou o melhor piloto da história da Honda após adicionar seu triunfo nº 55, ultrapassando os 54 do mítico Mick Doohan.

“Quando era criança, eu costumava competir na pista com Àlex Crivillé, e o considerava um animal invencível. Tenho muito orgulho dessa marca e digo que não vou parar por aqui.”

Giacomo Agostini tem razão em começar o vodu para parar o ‘Cervera’. Muita razão…

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