Márquez: “Nunca forçarei a assinatura de Àlex com a Honda”.

223

“Poderia forçar há dois anos, mas não o fiz nem o farei porque considero que o familiar nunca deve ser confundido com o profissional”
Marc Márquez

A paranóia em grande escala se estabeleceu em Valência. Todas as reuniões agora têm um significado adicional. Qualquer piloto visto conversando com alguém com uma camisa da Honda imediatamente leva a rumores sobre a substituição de Lorenzo.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é alberto-puig-jefe-deportivo-honda-agradecido-caballerosidad-jorge-lorenzo-1573752316690-1-1024x572.jpg

A Honda e Alberto Puig, diretor de esportes da equipe campeã mundial, terão que explicar muito bem a sua decisão em anunciar ou não o substituto, em vez de simplesmente apresentar os planos para o início da próxima temporada (2020) com relação ao desenvolvimento da RC213V, que neste domingo terá a sua sela vaga, após o grande prêmio de Valência.

Ao ouvir o clamor do paddock, Puig terá que justificar porque o jovem Àlex Márquez, bicampeão da Moto3 e Moto2 – poucos segundos pilotos de equipes oficiais de MotoGP conquistaram esses cetros – que está pronto para o salto, agora que existe uma moto de fábrica disponível, ainda não foi chamado para o MotoGP.

Àlex, apesar de tudo

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é alex-1024x572.jpg

Enquanto Alex insiste que não sabe de nada, que fez o que deveria fazer (i.e.,”ganhar o título de Moto2e mostrar na pista), e, com isso, as coisas viriam como a sela da Honda. Mas o momento está mais para “fale por falar” porque ele não tem nenhuma oferta na mesa, embora seu irmão Marc insista que Àlex “está muito bem preparado para dar o salto para o MotoGP, o que não aconteceu há dois anos”.

Marc foi muito mais longe hoje em suas observações, e, ainda que ele não insinue nada aos jornalistas, alguns interpretaram que ele está pressionando a sua equipe, a Repsol Honda, a contratar seu irmão.

Não é assim, não é o estilo dele? Marc disse que “nunca forçarei uma situação e nunca pressionarei minha equipe para tomar uma ou outra decisão; contratar esse ou aquele piloto; nunca fiz isso, e, lembro que há dois anos eu poderia ter dito aos chefes da fábrica – ‘eu assino o contrato se …, mas não fiz isso porque acho que não deve ser feito; que não é a minha função”.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é marc-marquez-honda-feliz-mas-alto-del-podio-phillip-island-australia-1573826490503.jpg

Marc minutos antes de reconhecer as qualidades do próprio Àlex, comentou – “é uma honra que o nome de Àlex esteja na mente dos responsáveis pela Honda; daqueles que precisam tomar essa difícil decisão, que envolve escolher um piloto experiente ou um jovem em projeção”. Evidentemente, Marc não deu nomes, mas no ‘branco e engarrafado’ significa que o experiente é o bicampeão francês Johann Zarco e o jovem, e também bicampeão, é o seu irmão Àlex.

O oito vezes campeão insiste que Alex é o mais tranquilo de todos, mas que ele sofre por seu irmão. “Ele ganhou o título e Cheste foi o lugar ideal para celebrá-lo no ótimo final de semana e agora acontece que ele tem todo esse “rolo ao seu redor. Ele será prejudicado numa comparação comigo se vier para a Honda? Deixa acontecer porque ele já está acostumado a ser comparado, injustamente, a mim.”

Quem quer que esteja na caixa da Honda sabe que, ao lado dele estará o campeão, e que em suas mãos ele terá uma motocicleta que é física, crítica e difícil de pilotar, mas que conquistou seis dos últimos sete títulos e este ano, além do título conquistou 11 vitórias e 17 pódios em 18 corridas – um novo recorde.

Família e profissão separadas

Escusado será dizer que um e o outro — Marc e Àlex — começam a pensar que podem ver acontecer o seu verdadeiro sonho desde que eram crianças: andar no MotoGP com a mesma moto e na mesma equipe. “Mas eu insisto”, continuou Marc Márquez, “não pretendo forçar, nem por ele, nem pela Honda, nem por Alberto, até porque acho que ele não aceitará; porque acredito que não devo e porque não é necessário.”

Marc Márquez, com uma clarividência prodigiosa e um discurso magnificamente construído, disse que “nunca achamos conveniente em casa misturar temas familiares com os profissionais. Alex e eu moramos juntos, treinamos juntos, mas quando chegamos ao circuito, temos equipes e preocupações paralelas. Pode acontecer sim que, se ele, mais do que eu, precisar de conselhos, vamos falar de caminhos, ajustes e um pouco mais. Então, repito, Àlex fez uma carreira maravilhosa e bem-sucedida e provou ser um dos pilotos mais rápidos deste ‘paddock’, não importando a categoria, e ele está pronto para, quando surgir a ocasião, dar o salto para o MotoGP, que é o sonho de todos os pilotos.”