MotoGP: Casey Stoner foi embora muito cedo?

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Assim que a temporada de 2012 começou, houve rumores – como é habitual até hoje no paddock do MotoGP – que Stoner não estava feliz e considerava encerrar sua carreira. É claro que ninguém acreditou. Até porque ele tinha ganho duas das três primeiras provas.

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Stoner foi bastante intenso enquanto trabalhava no paddock do MotoGP e nem sempre mostrava que era o homem mais feliz do planeta. Segundo diziam, ele se escondia dentro do capacete. A 4º rodada do Campeonato foi em Le Mans – não no circuito onde Steve McQueen correu as 24 horas –, mas no Circuito de Bugatti.

O assessor oficial de imprensa da Honda – Rhys Edwards – perguntou se Casey podia fazer uma declaração antes da conferência oficial dos pilotos, e todos concordaram. Ingenuamente todos assumiram que era um anúncio que o campeão Stoner iria renovar seu contrato com a Honda por mais dois anos, e que, apesar dos rumores, ele não tinha intenção de deixar o MotoGP.

Todos estavam errados. Ninguém naquele centro de mídia tinha a noção do que vinha a seguir. Casey calmamente anunciou que iria se retirar no final da temporada. Houve um silêncio total por alguns segundos antes que os jornalistas começassem a aplaudi-lo pela quantidade de manchetes que Casey lhes havia fornecido, e por toda a sua vida dedicada ao motociclismo.

Basicamente Stoner gastou 20 de seus 26 anos viajando no mundo das motos. Inicialmente seu pais – Colin e Bronwyn — o trouxeram do motocross. Eles venderam tudo o que tinham para que o seu filho corresse na Inglaterra. Na época eles viviam como ciganos e não tinham um pote para mijar. Óbvio que para ele, mesmo passando por dificuldades financeiras, tudo era especial. Contudo, já no Campeonato das 125cc, Casey se mostrava solitário. Como andava afastado do grupo, ninguém inicialmente apostou naquele garoto da Austrália.

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Ninguém apostou até ele conquistar dois títulos mundiais – 2007 pela Ducati; 2011 pela Honda. Ele pilotava no molhado como se estivesse dirigindo um jet sky. Muitos têm suas próprias teorias sobre a técnica de Stoner — geralmente envolvendo o freio traseiro –, mas o próprio homem sempre se recusou a revelar sua técnica. Tudo o que ele vai dizer é: “Você precisa esquecer tudo o que acha que sabe”.

Pura capacidade foi sem dúvida o seu maior triunfo, mas também a sua franqueza ao dizer a Valentino Rossi “Que a sua ambição foi maior que a sua habilidade”, após ter sido derrubado pelo piloto italiano.

A sua zombaria de Rossi e o fato de ter conquistado um título com a Ducati – algo que Rossi não conseguiu – não o tornou muito popular com os fãs do motociclismo. Contudo, o título conquistado com a Ducati só ampliou o seu brilhantismo.

Casey disse aos jornalistas que tinha perdido o amor pelas corridas de grande prêmio, culpando o comercialismo, a falta de apoio no paddock (proibir os pilotos da Moto2 e Moto3 de usar motorhomes no paddock)  e a falta de inovação técnica da Dorna ao favorecer as motos lentas (controles de pneus e ECUs), para a sua decisão. 

A Dorna ficou furiosa com a sua acusação, alegando que eles gastaram grandes somas no suporte de sua carreira, especialmente nos estágios iniciais. Valentino Rossi ficou sentado e nada disse – ele tinha problemas mais urgentes em sua mente. No mundo ideal Stoner teria conquistado mais um título mundial antes de se retirar, mas não era para ser.

Um acidente horrendo durante a qualificação em Indianápolis deixou-o com um tornozelo lesado, embora tenha terminado em 4º na corrida. Esta lesão causou a sua ausência em outras três corridas. Ele retornou a tempo para a sua última corrida em Phillip Island. Foi um privilégio para todos assistir o seu maravilhoso sliding com a Honda (já tinha feito tb com a Ducati), deixando a marca do pneu preto maciço no asfalto a 120 mph (o vídeo pode ser achado na rede).

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Duas semanas mais tarde, ele terminou em 3º lugar na corrida final de sua carreira. Casey passou então a desfrutar da vida em sua fazenda na Austrália com a sua esposa Adriana e sua filha Allie. Posteriormente ele foi piloto de testes da Honda e da Ducati, mas prometeu nunca mais voltar a correr no MotoGP.

Márquez chegou à classe rainha em 2013 para o lugar de Stoner como uma granada de mão não explodida que foi jogada no grupo. Não demorou muito para o pino sair…