Especial: Análise da situação atual dos principais pilotos e de suas equipes.

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Marc Márquez está prestes a fazer uma das melhores temporadas, como Lorenzo em 2008 e Mick Doohan em 1997 – veja a matéria de Mat Oxley. Muitas pessoas fazem uma comparação de Marc com Doohan, mas quando Mick dominou a frente havia também outras Hondas oficiais andando bem.

Mick Doohan enfrentou pouca competição, além de seus colegas de equipe Tady Okada e Alex Crivillé em 1997, competindo contra um punhado de pilotos com Honda NSR500s que não eram de fábrica, Yamahas e Honda V-twins com pouca potência. A diferença entre o pódio era enorme naquela época. A diferença entre o primeiro e o terceiro colocado ficou abaixo de 10 segundos em apenas 5 das 15 corridas daquele ano. E foram mais de 20 segundos em 6 das 15.

Este ano, a Honda mais próxima de Marc é a de Cal Crutchlow em nono. Em 2019, apenas Márquez venceu com a RC213V.

Em 2002, a Honda RC211V foi amplamente considerada a melhor moto do grid. Em 2019, até o diretor técnico da Honda, Takeo Yokoyama, reconheceu que eles haviam construído uma máquina defeituosa com muita potência, sabendo que Márquez contornaria os problemas e encontraria uma maneira de vencer.

“No inverno, o que tentamos fazer é que sabíamos que tínhamos o melhor piloto do mundo e, portanto, demos a ele potência”, disse Yokoyama. “Porque se você não tem potência no meio da reta, você não pode fazer nada. Mesmo o melhor piloto do mundo não pode fazer nada. Então, nos concentramos no inverno para dar a ele tanto poder quanto possível, sabendo que ia aparecer outros problemas. Mas decidimos: OK, os problemas virão, mas, novamente, ele é o melhor piloto, então, talvez ele possa gerenciar isso.”

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Candidatos a parar Márquez

“Todas as equipes trabalham para parar o piloto da Honda, e quando uma delas consegue, comemoram infinitamente”,  disse Davide Tardozzi, líder da Equipe de fábrica da Ducati.

Mas no momento, não parece que alguém seja capaz de impedir Marc Márquez de conquistar outro título. Andrea Dovizioso chegou mais perto em 2017, mas foi quando a Ducati Desmosedici teve uma séria vantagem em potência sobre o Honda RC213V. Este ano vimos surgir uma nova geração de desafiantes, com Alex Rins, Fabio Quartararo e Maverick Viñales lutando contra ele.

O nome que mais está em evidência no momento é o de Fabio Quartararo.  “Fale com as pessoas da Honda e elas lhe dirão que Quartararo é o único piloto de quem Márquez tem medo, porque Quartararo não tem medo dele”, disse um membro da equipe Repsol. O francês tem sido rápido desde o início da temporada, mas nas últimas corridas, ele realmente levou a luta até Márquez. Se a Yamaha encontrar um bom pedaço de potência durante o inverno, Quartararo pode dificultar a vida de Márquez no próximo ano.

De qualquer maneira FabioQ20 levará o troféu de melhor calouro do ano e tentará manter sua equipe Petronas à frente da Pramac Ducati de Jack Miller.

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Continuando com a Yamaha, não podemos perder a oportunidade de avaliar a situação de Valentino Rossi. Muitas são as vozes aqui no Blog que separam o piloto italiano dos circuitos nos próximos anos.

Valentino sabe o que está faltando na moto mas não consegue encontrar um caminho. Se você der a Valentino uma moto ideal, talvez neste momento de sua carreira ele consiga vencer  uma ou duas corridas, conforme disse Marc Márquez. Mas pedir a Valentino Rossi para tentar ser o piloto líder do campeonato, por mais que eu o admire, enquanto Marc Márquez existir, isso será uma mera fantasia de alguns torcedores fanáticos. Nem a declaração de Dovi favorecendo-o em detrimento ao jovem espanhol irá ajudá-lo a ganhar confiança nas circunstâncias atuais.

Valentino foi longe, mas hoje ele não é mais o líder do projeto da Yamaha. Embora acredite que Valentino Rossi “irá seguir” seu contrato em 2020, “seus melhores dias já se passaram”, mas concordamos que é um “deleite” vê-lo ainda na pista com essa ilusão. Particularmente, tenho uma grande admiração por tudo o que ele fez e representa para o MotoGP.

Outra opção possível para derrotar o Mago seria a Suzuki com Rins, a quem alguns jornalistas comparam a Kevin Schwantz. Quando Rins está no seu dia – “in the zone” – ele é tremendamente rápido, mas habitualmente ele não está. Embora pareça ser um piloto inteligente, algo errado sempre acontece durante as suas tocadas.

Já Maverick Viñales parece falho, sem ter a consistência com  que Márquez trabalhou tão diligentemente em 2019.

A difícil situação de Jorge Lorenzo

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A situação de Lorenzo é insustentável. Nunca vimos uma Honda oficial rodar nos últimos lugares por mais de duas corridas.

Alguém já viu um piloto parar de andar rápido por tanto tempo e depois “vencer de novo”, com a idade atual de Jorge Lorenzo? Alguns fãs de Jorge podem nos lembrar de seus passos na Ducati quando ele surpreendeu a todos. O que acontece é que a Honda não fará uma segunda motocicleta seguindo as sugestões de Lorenzo, como aconteceu com Freddie Spencer e Randy Mamola no passado.

Outro dado importante. Quando Lorenzo chegou na Ducati, a fábrica não tinha um líder claro. Lorenzo tinha a Ducati na mão – embora alguns não concordem – e, talvez, sem a queda em Aragão, a temporada de Jorge poderia ter terminado triunfantemente. Dos dois pilotos atuais da Ducati, podemos dizer com segurança que Dovizioso é um bom piloto, um dos melhores, mas nunca foi dominante.

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Takaaki Nakagami assinou um contrato com a equipe LCR para a próxima temporada. O piloto japonês poderá assim correr seu último GP do campeonato mais sereno. Como previsto, ele será operado após a prova de Motegi e permanecerá longe da caixa pelo resto da temporada.

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Pilotando sua moto estará o francês Zarco, que vinha mantendo entendimentos com a Yamaha para ser o piloto de testes da fábrica dos diapasões.

Podemos fazer algumas considerações entre o especulativo e o imaginativo, e ambos têm o piloto francês e a Honda HRC como atores. Sim, porque, depois de esclarecer que a LCR nunca pretendeu substituir Nakagami, qual é o sentido de contratar Zarco para três corridas? Stefan Bradl, piloto de testes, poderia muito bem terminar a temporada…

Talvez haja razões desconhecidas para nós, mas a ideia de que a Honda tem um projeto diferente, e que indiretamente diz respeito à equipe oficial, nos agrada. É claro que os resultados de Jorge Lorenzo não estão à altura da HRC, portanto, ter um piloto competitivo como Zarco no “quarto de hóspedes” é um sinal claro para o espanhol acordar.

Se então Lorenzo decidir deixar a Honda por opção, ter o francês na caixa de uma equipe satélite seria um bom seguro.

Enfim, o ano de 2021 pode ter mudanças generalizadas no MotoGP, com a velha guarda dando lugar a sangue jovem. Cal Crutchlow terá ido embora, Valentino Rossi pode ir embora, até Jorge Lorenzo e Andrea Dovizioso podem deixar o MotoGP .

Brad Binder, Jorge Navarro, Luca Marini, Augusto Fernandez, Remy Gardner e Fabio Di Giannantonio podem se juntar a Quartararo, Rins, Viñales, Jack Miller e Miguel Oliveira para enfrentar Márquez? Seu irmão mais novo, Alex, pode continuar a notável progressão que fez em 2019 para desafiar Marc em 2021 e além?

Podemos estar no meio da era de Marc Márquez no MotoGP, mas isso não significa que o resto simplesmente vai aceitar a derrota. O garoto de Cervera ainda pode ter um apetite insaciável pela vitória, mas ele terá todo um exército de talentos tentando impedi-lo.