MOTOVELOCIDADE NO BRASIL: “EQUIPE CUSTA MAIS DE 1 MILHÃO DE REAIS”, DIZ CESAR BARROS.

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Em nosso perfil do Instagram @odezito, estamos propondo uma série de lives para tratar da motovelocidade no Brasil e seus desafios, sob diversos pontos de vista que a modalidade apresenta. Entre os convidados estão empresários, organizadores de eventos, pilotos, mecânicos, jornalistas, e outras figuras importantes da motovelocidade.

Foto: Chamada da live com Cesar Barros, no último dia 10 de junho de 2020, no perfil do instagram @odezito

No último dia 10 de junho, recebemos para um bate papo, Cesar Barros, ex-piloto do mundial de motovelocidade (250cc) e Chefe de equipe da Alex Barros Racing, para tratar dos desafios do esporte no Brasil, sob a ótica de um Chefe de Equipe. Confira abaixo, os principais pontos abordados:

Imagem: Site www.cesarbarros.com.br

Como surgiu a oportunidade de atuar como chefe de equipe na Alex Barros Racing?

Surgiu efetivamente em 2017, após o Alex decidir participar ativamente do Super Bike Brasil e nesse caso era necessário que ele tivesse alguém para cuidar da parte fora da pista, como eu e meu irmão sempre tivemos uma boa relação, acabei gerenciando e influenciando, com ele, de toda a estrutura da equipe, do qual participamos até 2019.

O que faz o chefe de uma equipe de motovelocidade no Brasil?

Hoje, temos poucos chefes de equipe efetivamente no Brasil, o papel nada mais é que cuidar de toda logística da equipe e dos pilotos, como: regulamentos, monitorar o deslocamento da estrutura com os caminhões, por exemplo, compra de equipamentos, como peças, alimentação, uniformes; espaço de patrocinadores, relacionamento com o público, cronometragem, montagem de boxes e outras demandas de dentro e fora das pistas, “um pacote monstruoso”, que você precisa de muitas pessoas em conjunto para realizar as decisões.

O que não pode falhar dentro de uma equipe?

Tem que funcionar como um relógio, o que não pode falhar é o ambiente da equipe, pois você como piloto ou chefe de equipe, tem que contribuir para o bem da equipe, pois todos os profissionais que estão ali, estão trabalhando para que o piloto tenha bons resultados e ele tem que acreditar e respeitar isso.

A concentração do piloto na corrida e a relação com o público, é um desafio para o chefe de equipe?

Sim, eu sempre procurava, no caso do Alex, orientar essa relação, estipulando alguns horários para sessão de autógrafos, briefing, puxando ele, pois ele é muito requisitado por pilotos e o público em geral, eu tinha que fazer o papel de “chato”.

Como é ser chefe de equipe do irmão?

Claro que tem as discussões, mas o Alex além de meu irmão, eu sou fã dele, só quem esteve no mundial, sabe o quanto é difícil chegar e se manter lá dentro (Alex é um dos recordistas de participação em Grande Prêmios, só atrás de Valentino Rossi), e isso dá muita confiança e respeito para as discussões.

Legenda: Cesar é irmão de Alex Barros, o maior piloto brasileiro da motovelocidade. Fonte: Instagram Cesar Barros.

No Brasil as estruturas das equipes são pequenas, muitas vezes o piloto é o próprio chefe da equipe, como você vê isso?

No brasil temos poucos chefes de equipe, a Honda Racing tem um profissional nessa parte, as demais equipes com uma estrutura um pouco melhor, como JC Racing, a PRT, a BMW Motorrad Motor (Bruno Corano) a Motonil, por exemplo, tem pessoas a frente, mas é muito a parte técnica da moto, eu acredito que falta uma pessoa para cuidar do outro lado, para sermos mais profissionais na gestão das equipes, claro que isso envolve um custo, no Brasil, nem sempre isso é possível.

Imagem: Site www.cesarbarros.com.br

Quanto custa para ter/manter uma equipe de ponta no Brasil, hoje?

Hoje os campeonatos são muito caros, por exemplo, no Superbike Brasil é fora dos padrões brasileiros, pois uma moto de Superbike,hoje, custa em torno de 250 mil reais, com esse regulamento; sendo que por piloto, no mínimo, seriam duas motos, com materiais importados e valores em dólar. Penso que temos que fazer campeonatos com regulamento de stock, com alterações possíveis em itens de segurança, como freios, por exemplo. Além disso, teríamos mais pilotos para disputar as categorias. Para ganhar corrida tem que ter moto e pilotos bons, não é só moto.

Para montar a equipe completa, com uma boa estrutura, vai custar em torno de 1,5 milhão de reais, parece muito, mas comparado com a Stock Car (principal categoria do automobilismo brasileiro), que custa 3 milhões, não é caro, mas na motovelocidade se torna caro, pois temos poucas equipes profissionais, organizadas, que consigam captar recursos e patrocinadores.

Além disso, falta uma assessoria de imprensa para tratar os interesses dos patrocinadores e demais apoiadores, isso é importante para as equipes e principalmente aos patrocinadores, que estão investindo e querem o retorno nas mídias e na imprensa. É muita coisa envolvida numa equipe, e isso custa, mas as pessoas precisam entender a importância dessas questões.

Por que você acha que patinamos tanto para sermos mais profissionais, com a motovelocidade no Brasil? Além do aspecto financeiro.

Acho que falta transparência nos campeonatos, de maneira geral, falta os pilotos e equipes trabalharem pelo esporte, sem querer burlar regulamentos e o esporte de maneira em geral, levar o esporte a sério, está relacionado diretamente como a forma que você lida com as regras, para manter em igualdade de competição equipes e pilotos.

Temos que separar bem os patrocinadores de campeonatos, equipes e pilotos, pois cada um tem sua função diante do evento, quando conseguirmos dar mais transparência e compromisso ao esporte, teremos mais patrocinadores. Quero deixar claro, que não são os patrocinadores que interferem, mas que os organizadores e pilotos precisam assumir o seu papel profissional perante os campeonatos. Profissionalismo é isso, é a regra se mantida para todo mundo.

Outra situação, é que o brasileiro, olha muito para o MOTOGP, isso dificulta também as formações de base, pois não temos estrutura de competição e equipamentos (motos) para formar os pilotos nesse nível de competição, teríamos que importar. É necessário olhar para outros eventos, como o Mundial de Super Bike (WSBK), que pode ser uma porta de entrada para pilotos jovens, como os que vem sendo preparados pela equipe da Yamaha no Brasil, é uma medida mais viável.

Como você a questão cultural do Brasileiro nas competições?

O brasileiro tem dificuldade em se relacionar com derrotas, é uma coisa cultural que existe no brasil, pois a ótica da vitória é do campeão, na espanha, em Jerez, o público bate palma do começo ao fim para os pilotos. Na Motogp, por exemplo, você tem os 20 pilotos mais rápidos do mundo, temos que entender essas coisas.

Agradecemos ao Cesar Barros pela live e convidamos você, leitor, para que nos siga na mídia social instagram, clicando aqui