O lado “cruel” da Honda e os que falharam no caminho.

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Na HRC há um ditado: “Os engenheiros vencem! Basicamente, querido piloto, nós entregamos a moto e você dirige ao máximo. Nós valorizamos o que você diz, mas em suma, nós escolhemos o que você vai usar na moto”. Esse testemunho vem do livro “In Teste”, a biografia de Jonathan Rea. Rea em uma conversa com Livio Suppo, na época um dos ‘cabeças’ da HRC, disse: “Livio, escute, eu quero chegar ao MotoGP com uma moto oficial e não me importo que o meu salário seja baixo, só quero ter essa chance”. “Livio olhou para mim como se fosse a terra do seu sapato que havia acabado de limpar e falou: O que faz pensar que você merece uma moto oficial?”.

Jonathan Rea, wildcard pela Honda HRC.

Na HRC é assim, você não acha que merece porque quem decide são eles. Mas vale dizer também que ninguém é insubstituível, Suppo brilhou incansavelmente nos bastidores da Honda e acabou sendo substituído, lá dentro não há personalidades, só existe a Honda!

#99
Lorenzo quando assinou com a HRC já imaginava onde estava colocando os pés? Tudo sugere que sim. Na sua biografia Max Biaggi diz que recebeu um incentivo de Jorge Lorenzo: “Nada disso importa, você é um campeão”. Na história da sua carreira Biaggi dedica uma capítulo importante da sua carreira com a Honda, em particular a questão espinhosa de 2005, quando ele era pelo menos no papel um piloto oficial: “A equipe oficial, o sonho da minha carreira, acabou sendo uma decepção além da imaginação”. Será que Lorenzo levou em consideração a experiência pessoal do amigo na HRC em consideração?

Carlo Pernat
Pernat no livro Belín diz: “Se Biaggi tivesse sido um pouco menos idiota aposto que teria conseguido vencer alguns títulos na categoria principal. Mas ele é assim, não consegue ficar de boca calada e nesse sentido é muito parecido com o amigo Jorge Lorenzo. Ao invés de aproveitar o sucesso revolve falar. Ele diz que é o melhor, suspeita que a moto do companheiro é melhor, começa a achar que estar sendo deixado para trás”. Em parte isso lembra alguém? Estamos falando de uma situação há 20 anos atrás, mas em alguns pontos parece bem atual.

Max Biaggi, HONDA HRC.

Mas é necessário enxergar que Marc não chegou cantando bola, Emilio Pérez, jornalista espanhol e biógrafo de  Marc Márquez diz: Marc é assim. Quando foi campeão no Moto2 queria levar seu time para a categoria principal mas a Honda não permitiu. Então o jovem piloto propôs:”Se eu ganhar o campeonato eles podem vir?”, a Honda concordou e vimos o que aconteceu. Isso explica certas declarações de Marc dirigidas ao Lorenzo. Na Honda antes de perguntar qualquer coisa você tem que vencer primeiro.

Honda mudando a sua filosofia?
Lorenzo, de uma forma muito complicada representa de alguma forma uma chave importante para as próximas estratégia. Em virtude do seu passado e do seu conhecimento é capaz de desenvolver uma “moto neutra”, onde vários pilotos também podem vencer. Através de uma fonte confiável sabemos que o tanque modificado que Jorge recebeu nos primeiros contatos com a RCV não foi desenvolvido pela HRC no Japão mas sim na Itália. Esse fornecedor não é um dos habituais da Honda, mas sim da Ducati. Lorenzo trouxe isso e aos poucos vai fazendo a Honda abrir mão do seu tradicionalismo. Ficamos sabendo também que a Honda já trabalha em um novo escapamento a pedido de Jorge Lorenzo para melhorar a ergonomia da Moto, as mudanças consistem principalmente nos tubos debaixo do banco. A Honda vai fazendo seu papel em não deixar desamparado o JL99, vamos ver o que acontece.

Jorge Lorenzo ou Marc Márquez? Não importa, quem vence é a Honda.