O mundo louco do MotoGP: mercado de pilotos.

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Com o desenvolvimento de motores e motos congelados para 2020, as fábricas estão procurando atualizar a única coisa que podem mudar: pilotos! Sem corridas este ano e com a maioria dos pilotos sem contratos para o próximo ano, as equipes estão tomando suas decisões com base na temporada de 2019.

O departamento de competição da HRC não quer fazer barulho, mas reconhece que, dada a temporada mais atípica da história do MotoGP, acelerou todos os contatos e planos para não ficar para trás nos próximos anos. Isso se refere aos seus principais pilotos. Uma vez assegurada a presença, até o final de 2024, de Marc Márquez , o melhor piloto da última década, a HRC tenta agora, por todos os meios, completar o grupo de pilotos, tanto na equipe oficial da Repsol Honda quanto na ‘satélite’ do italiano Lucio Cecchinello (LCR), para ser capaz de continuar competindo (e ganhando) a Tríplice Coroa (título de pilotos, construtores e equipes) todos os anos.

Embora a presença de Márquez, vencedor de seis dos últimos sete títulos de MotoGP disputados, também tenha permitido à fábrica liderar os campeonatos de marcas e equipes, a verdade é que ambos os líderes japoneses, começando com Yoshishige Nomura, presidente da HRC, como Alberto Puig, gerente da equipe e “responsável por todas as decisões esportivas”, sabem perfeitamente que, no momento, o único piloto com contrato para 2021 é Márquez , já que o veterano britânico Cal Crutchlow (34 anos, LCR Honda Castrol), como o japonês Takaaki Nakagami (28 anos, LCR Honda Idemitsu) e o o jovem catalão Àlex Márquez (24 anos, bicampeão mundial, Repsol Honda) encerram seus acordos nesta temporada.

Esta semana vários meios de comunicação reportaram que Pol Espargaro, piloto oficial de KTM, fez um acordo verbal com a HRC para ocupar a vaga de Alex Márquez. Ter um piloto na RC213V capaz de ser consistentemente competitivo seria um grande impulso para a equipe Honda. Se Pol Espargaró puder lutar por vitórias e pódios, ele pode facilitar um pouco o trabalho de Marc Márquez, roubando pontos de seus rivais. Espargaró tem um histórico comprovado no MotoGP – embora seja difícil julgar pelos resultados, já que ele passou os últimos três anos em uma KTM – e aos 29 anos de idade, tem maturidade para lidar com um assento em uma equipe de fábrica.

Apesar de um acordo com Pol pareça ter sido alcançado, existem ainda alguns obstáculos a percorrer. Onde colocar Alex Márquez para não deixar Marc descontente? A solução que a HRC busca é que Álex ocupe a vaga de Cal Crutchlow, que não deverá ter o seu contrato renovado, embora Lucio Cecchinello, diretor da Equipe LCR, afirme que está negociando com o britânico sua permanência para a próxima temporada. Ele está falando a verdade?

Uma boa opção para Alex Márquez seria ocupar o lugar de Pecco Bagnaia na equipe satélite, uma vez que o jovem italiano não está correspondendo as expectativas, e caso continue assim, não deverá ter o seu contrato renovado para o próximo ano.

Marc trabalhou para conseguir que o irmão mais novo fosse o seu companheiro de equipe e, em seguida, terá que assistir a Honda despedi-lo para dar lugar a um piloto que sempre foi o seu rival nas categorias inferiores? “O atual campeão sabe que não é bom para Alex terminar a temporada 2020 sem a perspectiva de um novo contrato no MotoGP.” A curto prazo, isso pode parecer uma boa mudança para a HRC; a longo prazo, é exatamente o tipo de jogada que faz com que um piloto muito acima da média migre, por descontentamento, para outra marca.

A Honda parece ter um trunfo na manga: no início deste ano, Marc Márquez e a HRC assinaram um contrato de quatro anos, o que o levaria à equipe da fábrica da Honda entre 2021 e 2024. Isso significa que a Honda tem o velho Márquez nas mãos?

Não necessariamente. Os contratos sempre têm cláusulas de escape. Existem opções, cláusulas de desempenho, todos os tipos de condições colocadas em contratos. Geralmente, essas cláusulas de escape favorecem as equipes, especialmente quando a equipe é uma fábrica. Os pilotos também podem se livrar delas, embora a penalidade por isso tende a ser maior do que a fábrica enfrentaria se fosse o contrário. A razão pela qual essas cláusulas favorecem as fábricas é simples: em qualquer negociação, o lado mais poderoso tem vantagens e dá as regras.

Dado que a Ducati gastou mais de 20 milhões de euros em Valentino Rossi, depois outros 25 milhões de euros em Jorge Lorenzo em busca de um título de MotoGP, eles ficariam felizes em pagar a Márquez o que ele quisesse, bem como pagar cláusulas de penalidade para livrá-lo de um contrato. A KTM também, com o apoio da Red Bull, teria fundos mais que suficientes para colocar Marc Márquez na sua moto, e eles sabem que este é o caminho mais curto para conquistar o campeonato do MotoGP.

Mas Marc Márquez arriscaria sair da Honda, como Valentino o fez no passado, e deixar de entrar para história como o melhor piloto de todos os tempos? Ducati ou KTM aceitariam Márquez levar toda a sua equipe com ele? Perguntas difíceis de serem respondidas…

Se na garagem da Honda a temperatura subiu acima dos 40 graus, na Ducati o ambiente não está muito diferente. É de conhecimento de todos que Gigi Dal´Ignea e Dovi não se olham nos olhos faz tempo, como mostra o excelente documentário – “Andrea Dovizioso Undaunted”.

Com a possível saída de Pol da KTM, Dovi teria uma porta aberta. Por outro lado, a Ducati com a saída de Dovi tem Jorge Lorenzo como opção, e este já declarou que aceitaria voltar ao MotoGP em uma moto competitiva. Ianonne pode ser uma alternativa mesmo tendo sobre si o rótulo de doping, caso não sofra uma extensão na sua punição. O motivo é simples: a Ducati já deixou claro que ter “um piloto italiano” é importante porque é “uma empresa italiana e esse é um aspecto que tem que ser considerado”.

Atualmente a Ducati só oferece contratos anuais aos seus pilotos, mas esse não parece ser o principal obstáculo para que ocorra a renovação de Dovi. Paolo Ciabatti deixou escapar que eles querem renovar com Dovizioso. E para isso eles estão dispostos a se adaptar ao que o Forlí quer. “Estamos abertos a diferentes soluções. Se Dovi preferir um contrato de um ano, ficaremos felizes em fazê-lo. Se ele preferir ter um contrato de dois anos, isso mostrará que ele está super motivado porque sua idade estará mais próxima de 40 anos (ele tem 34 anos). De qualquer forma, estamos abertos ao diálogo”, revelou o diretor esportivo da Ducati à Speedweek.com

Assim, o esperado é que Dovi siga com a Ducati. Segundo Ciabatti, o obstáculo para chegar a um acordo não é a duração do novo contrato, como Carlo Pernat declarou para o site GPone.com/it. É dinheiro. Um valor que não é pouco já que Dovi está pensando em sua aposentadoria e não aceita reduzir os seus ganhos. Seja como for, a Ducati aspira destronar Marquez, e a fábrica espera fazer isso em 2021 com a dupla Dovizioso-Miller.

Quanto a Valentino Rossi, pela dedicação vista recentemente nos treinos, aparentemente ele não está com vontade de deixar ainda o MotoGP. Petronas e Aprilia já mostraram interesse em sua contratação.

Enfim, todos os pilotos querem ser tratados com respeito por suas equipes. Marc Márquez sempre foi honesto com a Honda. Albert Puig tem experiência o bastante para saber que, quando a ofensa é grave o suficiente, pode fazer com que o espanhol jogue tudo para cima daqui dois anos e mude para uma outra equipe visando dar-lhe uma lição. Assim, eu não espero que a Honda abandone Alex Márquez nesse momento…