O que aconteceu com as Yamahas na corrida de Aragão? Por que os pilotos não subiram ao pódio? E o Valentino ficando apenas em oitavo?

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Às vezes, os leitores reclamam que os problemas de pneus nas corridas transformam os eventos em corridas chatas de conservação de pneus. De certa forma eles têm razão. Desde cedo aprendemos que a borracha macia por ter mais grip gera mais calor, o que provoca um desgaste maior dos pneus, notadamente nas laterais. È isso mesmo? Com os pneus Michellins não parece ser o caso…

Todos os três pilotos que conquistaram o pódio explicaram as sutilezas necessárias para maximizar o desempenho nas 23 voltas. “Eu aprendi muitas corridas atrás que com os Michelins você precisa entender de pneus”, disse Marc Márquez. “Eles trazem apenas um número ou um código e, é claro, dizem que é mais macio ou mais duro, mas é preciso entender muito de temperatura, as condições da pista, o asfalto e escolher o que você se sentir melhor. É o que eu faço durante todo o treino. Por esse motivo, trabalhamos nas FPs dando muitas voltas com pneus usados. É a melhor maneira de entender qual é o melhor composto para a nossa moto na corrida no domingo”.

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Andrea Dovizioso apoiou a explicação de Márquez sobre os pontos mais delicados da corrida com Michelins. “Acho que você precisa mudar sua mentalidade, se quiser competir com os Michelins. Não é como no passado com outras marcas, onde o mais duro era o mais consistente e um pouco mais lento”.

Maior aderência significa menor desgaste de pneus?

Isso significa que, em algumas condições, você pode obter uma vida útil maior do pneu com um pneu macio do que com um pneu duro. Um pneu macio tem melhor grip mas gira menos e, portanto, não se desgasta tão rapidamente quanto um composto mais duro, explicou Dovizioso. “Então, na maioria das vezes, a maciez é melhor no final porque você desliza menos, gira menos. Se você souber andar, o desgaste será menor do que o duro, também porque com o duro você gira mais, e o desgaste é maior. Sei que não é fácil de entender isso, mas é um mundo completamente diferente da nossa experiência anterior “.

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Jack Miller, que fez uma excelente corrida ficando em terceiro lugar, apoiou Dovi. “Pela minha experiência com os Michelins, se conseguirmos rodar com o pneu macio, você terá uma aderência melhor. Desde que você não gire demais, você só tem que usar o pneu da maneira correta e não desgastá-lo. Evite exercer muita força”, explicou o piloto da Pramac Ducati.

Miller percebeu que estava no pódio quando viu Maverick Viñales passar por ele. Ele deu uma olhada no pneu duro que o piloto da Yamaha havia usado na traseira e sabia que não poderia durar muito nessa condição. “Por exemplo, Maverick, quando passou por mim hoje, tinha muito giro e muita fumaça”, disse Miller. “No esforço ele é ótimo, mas você pode fazer isso por somente por algumas voltas. Como falta aderência, então, para nos acompanhar no início ou para ir mais rápido do que nós no início, ele teve que girar mais nas curvas. No final, ele sofreu porque não tinha mais borracha do lado esquerdo”.

Por mais espetacular que Viñales deslizasse a traseira da sua Yamaha M1 em torno das longas curvas à esquerda em Aragão, isso acabou por lhe custar o pódio.

Mais aderência e menos Yamaha

A mudança de aderência significou problemas para as Yamahas. Todos as quatro Yamahas escolheram um pneu traseiro duro, que revelou ser o pneu errado para a corrida. No final, eles perderam posições. Maverick Viñales e Fabio Quartararo caíram para quarto e quinto, respectivamente, embora ambos tivessem chance de pódio no início da corrida.

Viñales escolheu os duros, porque temia uma queda muito maior no desempenho da moto com os macios. “O problema é que no FP4 fui com o soft e tive uma queda muito grande de rendimento”, disse Viñales. “Eu não sei o por quê. Isso nos fez escolher o composto duro porque eu não tinha uma sensação muito boa com o outro composto e, como eu disse hoje de manhã, o plano era tentar o macio, fazer dez voltas e depois ver como ficou o pneu.” Se tivesse sido bom, talvez teríamos corrido com macio”. No entanto, a manhã úmida se aqueceu e apagou esse plano.

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Quartararo havia escolhido a traseira dura por razões semelhantes. “Não me senti muito bem com o macio”, explicou o piloto da Petronas Yamaha. “Senti que precisava girar muito com o macio para fazer bons tempos, mas à esquerda era difícil, então talvez eu tenha cometido um erro. Na verdade, quando voltei para a garagem e tentamos o macio disse ‘sim, quero o duro’ e acho que talvez tenha sido um erro, e que precisávamos trabalhar um pouco mais o macio. Mas ficar entre os cinco primeiros foi um resultado bom, dado que considerou um dia ruim, disse o francês.

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A experiência de Valentino Rossi foi semelhante, embora o italiano tenha terminado em oitavo. “Sei que meu ritmo não é fantástico, talvez não o suficiente para lutar pelo pódio, mas espero ficar mais forte”, disse ele. “A corrida foi muito difícil, porque começamos com o duro como as outros Yamahas. Tanto Quartararo quanto Maverick tiveram algum problema no final, mas eu tive uma queda muito grande no pneu traseiro depois de 5-6 voltas. Então, infelizmente, eu tive que desacelerar e meu ritmo ficou bastante ruim”.

“Isso não é responsabilidade da Michelin mas sim nossa para encontrar uma configuração que funcione para os pneus, explicou Rossi. “Não é um problema do pneu; é mais um problema nosso, nosso cenário, porque na segunda metade da temporada o modificamos e eu era mais competitivo em geral, mas sempre temos esse problema de aderência traseira e sofremos mais do que Quartararo e Viñales. Precisamos continuar trabalhando e tentar entender o caminho para melhorar e ser mais competitivo. Sabemos que essa pista é difícil e para mim foi sempre difícil.”

Mais velocidade por favor

Não foi apenas nos pneus que as Yamahas perderam, é claro. Nas retas rápidas de Aragão, as Yamahas foram flagrantemente derrotadas pela potência superior da Ducati de Dovizioso e de Miller, que foram capazes de passaram as Yamahas praticamente onde queriam. “Não tive chance”, disse Viñales. “Mesmo que eu pudesse pular em suas costas nas curvas, ele foi capaz de me ultrapassar na reta. Então não tive chance de lutar com Jack ou Dovi.”

Mas a Yamaha não está longe, Viñales destacou. “Acho que fizemos uma boa corrida”, disse o piloto da Yamaha. “No ano passado foi um desastre e este ano estivemos perto de ser o segundo. Precisávamos de um pouco mais. Apenas um segundo. Então, como eu disse, precisamos continuar trabalhando”.

A Yamaha trouxe novas peças para o teste de Misano e novamente para as corridas de Misano e Aragão. Mas, nas duas vezes, Viñales optou por correr com o velho braço oscilante e o velho escapamento, apesar de passar algum tempo testando o novo escapamento durante o treino. “É muito importante entender o caminho a seguir”, disse Viñales. “É verdade que com as novas peças eu ganho bastante velocidade, porque no FP4 eu era o quinto em velocidade máxima, então eu ganho um pouco mais, mas perdemos muito em outros lugares. Ainda precisamos de mais tempo para entender.”

Usar o novo escapamento não é algo tão simples quanto prendê-lo na moto. “Eu sinto que fica muito difícil pilotar”, disse Viñales. “Se a pista muda um pouco, então fica mais difícil. Não quero ser pessimista, mas ainda precisamos de tempo para entender, porque com a moto padrão de alguma forma criamos uma maneira de ter muita tração nela. Isso é muito bom. Contudo, com as novas peças perdemos tração em áreas críticas. Então decidimos seguir com o que sabemos ser forte e, em Buriram, tentaremos novamente”.

Enfim, a eletrônica junto com a velocidade tem sido os maiores problemas da Yamaha nas últimas temporadas segundo Valentino. Contudo, recentemente eles “roubaram” um grande cérebro da Ducati – Marco Frigerio – que até então vinha trabalhando da Equipe satélite Pramac. Resta saber se Frigerio – especialista no software da Magnetti Marelli – conseguirá devolver os pilotos da Yamaha à frente do grupo…