O que há por trás da saída de três pilotos do MotoGP da academia de Rossi?

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Por que começamos a ver vários membros da Academia de Valentino Rossi decidirem abandonar a estrutura e, como Bagnaia disse, “seguir outro caminho” no final de 2019?

“Pode-se ter dito tudo acerca das ações humanas, mas sempre será difícil traçar uma regra de conduta que obvie às surpresas do acaso, por mais justa que pareça do ponto de vista da razão.”

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Fundada em 2014, a escola para a próxima geração de talentos do país surgiu do desejo de Rossi de colocar a Itália de volta ao mapa. Antes disso, as perspectivas da Itália estavam em grande parte aquém das classes juniores. Rossi estava ainda atraindo a atenção na classe rainha, mas um olhar sobre as participações de Moto2 e Moto3 do país não inspirou admiração. Veja, por exemplo, em 2013 – as esperanças de classe intermediária do país caíram sobre nomes experientes como Mattia Pasini e Simone Corsi. O italiano mais bem colocado na Moto3 ficou em décimo. E o tempo todo a Espanha estava ganhando tudo.

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Mas o rápido avanço em cinco anos dos pilotos da Academia permitiu que o talento italiano voltasse a ter vida nas categorias de base. Além do mais, Franco Morbidelli e Francesco Bagnaia, dois dos onze membros da Academia, foram os dois últimos pilotos a vencer o campeonato de Moto2. Agora, ambos lutam contra o mestre da classe rainha a bordo de máquinas suportadas por fábricas. Será que a criação de Rossi – administrada pelo melhor amigo Alessio ‘Uccio’ Salucci – foi um tiro em seu pé?

Pouco provável, porque a convivência com pilotos mais jovens dá a motivação e o treinamento que Rossi necessita para se manter competitivo. E Rossi está ainda competitivo? Lin Jarvis acredita ainda em Rossi, mas os seus desafios aumentam a cada dia com o aparecimento de novos valores – como Fabio Quartararo.

Em julho, o La Gazzetta dello Sport deu a notícia que Nicolo Bulega e Dennis Foggia se separariam não apenas da equipe Sky Racing VR46, mas também da Academia. As razões apresentadas foram sólidas o suficiente; Bulega alcançou um estágio em sua carreira florescente, onde uma nova direção era necessária. “Agora é o momento em que tenho que tentar andar com minhas próprias pernas e realizar novas experiências profissionais para me completar como esportista e como pessoa”, ele argumentou em uma declaração antes do Grande Prêmio da República Tcheca.

O participante de Moto3, Foggia, foi outro do grupo a sair. As razões por trás da saída do ex-campeão mundial júnior da FIM estão enraizadas em seu desejo de permanecer em sua cidade natal, Roma. Nem todo mundo é obrigado a viver longe de casa por períodos prolongados, especialmente em uma idade jovem. Sem uma presença regular em Pesaro, ele não se inseriu plenamente no modo de vida da Academia.

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No entanto, em Brno um caso mais curioso veio à tona: Lorenzo Baldassarri foi o último nome a confirmar sua saída da estrutura na qual ele é membro desde 2014. Tanto Bulega quanto Foggia revelaram-se uma decepção nesta temporada. Mas o esbelto Baldassarri ocupa hoje a 6º posição na classificação geral, e, certamente, está destinado a lutar pelo campeonato novamente em 2020.

Isso significa problemas no paraíso de Rossi? Após um início estelar em 2019 (três vitórias nas quatro primeiras corridas), o jovem de 22 anos é sem dúvida a perspectiva mais empolgante da Academia fora dos que competem no MotoGP. Além do mais, ele é um membro popular no grupo principal. Com muitas equipes desfrutando de orçamentos variados este ano, na melhor das hipóteses, as lutas contínuas de Rossi para recuperar a velocidade e as dúvidas sobre o patrocínio contínuo da Sky à estrutura VR46 Moto2 / 3, perguntas estão sendo feitas sobre o estado de saúde do projeto.

Mas aqueles que ligam as saídas a um problema mais amplo dentro das fileiras podem estar longe da realidade. Eventos recentes, no entanto, indicam algumas limitações para os pilotos que começam a amadurecer.

Havia várias razões para a decisão de Baldassarri. Em primeiro lugar o seu contrato com a Academia é válido até o final de 2019. A oferta para renovar foi por três anos, um negócio que iria levá-lo para além do seu 26o aniversário – um compromisso de longo prazo neste jogo que ele não estava disposto a tomar. “É como quando você está no ensino médio e decide ir para a universidade”, Baldassarri revelou. Certamente, o objetivo dentro de uma academia é eventualmente se formar.

Era necessário um novo começo. Leia nas entrelinhas que isso decorre de uma chance perdida de entrar no MotoGP em 2020. “Ficar aqui [em Pons] é bom. Mas estar no MotoGP seria ótiimo”, afirmou. O fato de Baldassarri ter contratado os serviços de Simone Batistella, gerente pessoal de Andrea Dovizioso e Alvaro Bautista, mostra um desejo de estar mais bem colocado no intrincado sistema contratual antes de 2021.

Depois, há o fato de, no início de 2019, a Academia ser responsável por onze nomes. Isso é muito a considerar. “Com a presença de tantos, você não pode oferecer um serviço igual para todos”, disse Salucci à Sky Italiana.

Baldassarri sente claramente que há mais a ganhar caminhando sozinho. Na Academia, seu próprio etos (comportamento em grupo) foi fundamental. Como um atleta competitivo que amadurece, ele agora pode seguir seu curso quando suas próprias demandas não estão sendo atendidas e os resultados estão aquém.

“Neste esporte, você precisa ser egoísta e fazer o que é melhor para você”, admitiu Morbidelli, claramente entristecido pelo anúncio de Baldassarri. “Eu acho que esses caras fizeram isso. Eles fizeram a sua jogada. Só lamento não vê-los mais com tanta frequência.

A partida dos três pilotos não fez o alarme soar. Salucci calmamente já recrutou novos homens para as três vagas disponíveis – “sangue novo”, como ele disse. E ter oito pilotos ainda é um número saudável. Nos casos de Bulega, Foggia e Baldassarri, as divisões foram amigáveis e todos partem em bons termos.

Enfim, isso é mais uma consequência do amadurecimento de um projeto de seis anos. Onde antes existiam adolescentes cheios de espinhas, agora existem homens jovens, todos lutando à sua maneira para chegar ao topo.

Em algum momento, os pilotos devem priorizar o número um e somente isso. Saindo de uma terra dos sonhos de duas rodas — A RossiLand — eles podem conseguir, já que não querem mais continuar sendo Peter Pan…