O que pensa Carlo Luzzi, engenheiro eletrônico da Honda, sobre Márquez e Stoner?

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“Nunca gostei de matemática, mas estudei engenharia porque queria trabalhar com motocicletas”
Carlo Luzzi

Há um total de nove técnicos que acompanham Márquez diariamente em cada grande prêmio. No entanto, apenas cinco deles permanecem ao seu lado desde sua passagem da categoria intermediária. Destaca-se entre eles o italiano da Lombardia Carlo Luzzi, que tem uma história muito rica na área automotiva.

O início de carreira do discreto engenheiro girou em torno da Fórmula 1 com a equipe britânica da Benetton. Depois ele migrou para o motociclismo onde trabalhou com grandes pilotos como Jorge Lorenzo, Andrea Dovizioso, Casey Stoner, e, finalmente, chegou até Marc Márquez, quando o espanhol deu o salto para a categoria principal. Em seu currículo, Luzzi tem sete títulos conquistados no MotoGP, e seis deles com Márquez.

Por isso é natural “o mundo” querer que o engenheiro, sempre que possível, faça uma comparação entre Marc Márquez e Casey Stoner, notadamente agora que Marc Márquez está reescrevendo o livro de recordes do MotoGP. Abaixo condensamos alguns de seus comentários recentes publicados em diferentes blogs na rede.

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“Ambos são instintivos e com grande talento, mas Márquez é mais completo. É claro que um desafio entre os dois seria fantástico”, começou Luzzi a dizer.

“Se você me pedir uma área em que Marc não esteja 100%, não posso encontrá-la. É algo incrível. Ele nunca se cansa de melhorar. Ele é um perfeccionista nato, garantiu o italiano, mostrando alguns aspectos positivos do espanhol, que, além disso, ele o considera de outro mundo.

“Márquez é um garoto absolutamente normal. Ele tem um relacionamento especial com Santi (Hernandez, engenheiro-chefe da Equipe), e com toda a equipe. Quase sempre ele coloca sua equipe em primeiro lugar; aquele grupo compacto de fiéis que o envolvem frequentemente na garagem.”

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“De maneiras diferentes. Casey não era perfeccionista. De todos os pilotos com quem trabalhei, ele era o menos interessado na moto. Ele se esquecia dela.”

Nós, engenheiros, nossa vida é programada em torno da motocicleta. Você está sempre procurando maneiras de melhorar o desempenho dela para ir mais rápida. Os comentários de Casey quando ele descia da moto – “não vou contar porque eles já eram” -, e, quando ele deixava a garagem, já tinha esquecido tudo. No dia seguinte, quando voltava, ele subia na moto e…gás!

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Márquez, em contraste, quer saber tudo sobre a moto; ele vive 100% a motocicleta, estuda seus componentes, nunca se cansa de aprender. Luzzi vai além ao descrever como o espanhol de Cervera mudou ao longo dos anos: “Quando Marc chegou ao MotoGP, ele nada sabia sobre eletrônica, então Marquez me dizia – “Faça você mesmo”. Agora, ele conhece todos os detalhes da eletrônica de sua moto, e sabe exatamente o que quer”.

Carlo Luzzi garante, conscientemente, que o piloto da Honda tem duas personalidades muito diferentes, dentro da caixa ou fazendo o que mais gosta, andando de moto. “Eu sempre digo que eles são Hyde e Jeckyl. Na caixa ele é 100% técnico, explica tudo muito bem e com calma. Quando ele sobe na moto, se transforma completamente, e se torna um matador.”

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Pode-se dizer que Marc é um piloto completo; que ele tem os três ‘C´ — personalidade (caracter), coração e culhões. Ele reconhece o otimismo de Márquez em qualquer ocasião, nas reuniões técnicas, na frente do público e diante da mídia. Segundo o italiano “para Marc o bem vem primeiro”.

Se há algo que todos os que estão ao redor de Marc Márquez concordam é que eles não ficam satisfeitos com o mínimo; eles sempre darão o seu melhor para adicionar mais conquistas aos recordes do espanhol.

Contudo, Luzzi é italiano, e todos os dias faz o possível para vencer os pilotos italianos. Como ele lida com isso?

“Ah, sim, é claro que os torcedores italianos me lembram disso, mas sempre em tom amigável. E eu sempre respondo a mesma coisa: quando eu estava prestes a deixar a universidade, enviei meu currículo para vários lugares, incluindo um para a Ducati.  Até hoje estou esperando a resposta. Assim, tive que emigrar para outro país e começar a trabalhar.”