Protesto Ducati: o defletor é legal e Dovizioso mantém a vitória.

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“A Ducati orgulha-se da engenhosidade italiana e da sua capacidade de inovar. Muitas pessoas afirmaram na semana passada que nós estávamos trapaceando… esperançosamente agora eles ficarão em silêncio e tentarão nos derrotar nas pistas de corridas. No entanto, é uma pena que, para obter esse resultado, tivemos que gastar nosso tempo e dinheiro com advogados e revelar aos concorrentes nossa compreensão sobre o resfriamento de pneus.” (Claudio Domenicali – CEO da Ducati)

O Tribunal de Recurso do MotoGP determinou que o spoiler aerodinâmico da Ducati, preso à parte inferior do braço oscilante das três GP19 Desmosedici e utilizado na corrida de abertura do MotoGP no Catar, é legal. A decisão do tribunal significa que o resultado da corrida é válido e que a Ducati poderá continuar a usar o defletor no futuro. E nenhuma equipe reclamou da decisão, por enquanto…

A decisão foi tomada após o Tribunal de Recurso ter ouvido um protesto, apresentado pela Aprilia, Honda, KTM e Suzuki, contra a decisão do Diretor Técnico do MotoGP de que o dispositivo da Ducati era legal. Depois da corrida, as quatro fábricas protestaram primeiro com os Comissários da FIM, que rejeitaram o protesto, e depois com os Comissários de Apelação da FIM, que decidiram que precisavam de informações técnicas para julgar o mérito do caso, e então encaminharam o protesto para o Tribunal de Recursos do MotoGP.

Duas coisas parecem claras nesta decisão do Tribunal de Recurso do MotoGP. A primeira é que os regulamentos de aerodinâmica do MotoGP precisam urgentemente de esclarecimentos. Por exemplo, as diretrizes técnicas emitidas por Danny Aldridge falam de “acessórios para o braço oscilante traseiro”. Como algumas pessoas apontaram, isso é facilmente contornado ao integrar o spoiler na forma do braço oscilante. Essas questões não serão resolvidas com a emissão de diretrizes adicionais; precisam de uma revisão completa das regras.

O que levanta um problema maior. A MSMA, a associação dos fabricantes de motocicletas esportivas, é responsável pelas regras técnicas do MotoGP em primeira instância. Qualquer proposta de alteração dos regulamentos técnicos deve provir deles, com a Dorna e a FIM sendo apenas capazes de apresentar propostas relacionadas com a segurança. Mas, manter o MSMA unido não é mais fácil com seis fábricas envolvidas. Há crescentes sinais de divisões dentro da MSMA e recriminação aberta entre alguns dos diretores. O chefe da Ducati Corse, Gigi Dall’Igna, teria dito no Catar que havia enfrentado “leigos” do outro lado da mesa. Mike Leitner da KTM respondeu que “ninguém poderia acreditar que os departamentos de corrida da Aprilia, Suzuki, Honda e KTM apenas empregam leigos”.

A Ducati, e especialmente a Gigi Dall’Igna, não fizeram segredo do seu desejo de continuar a explorar as possibilidades oferecidas pela aerodinâmica. As outras fábricas estão menos interessadas, temendo o custo que uma guerra aerodinâmica possa desencadear. As chances de as seis fábricas envolvidas no MotoGP conseguirem produzir uma proposta unânime sobre aerodinâmica parecem estar próximas de zero.

A FIM ainda poderia adotar uma proposta não apresentada por unanimidade, é claro. O livro de regras apenas obriga a Comissão do Grande Prémio a aceitar propostas técnicas apresentadas pela MSMA se todos os membros da MSMA concordarem por unanimidade. Os outros cinco membros da MSMA poderiam apresentar uma proposta cujo conteúdo a Ducati discorde, e a Dorna, a IRTA e a FIM poderiam considerá-la por seus méritos. Dada a aversão dentro da Dorna e da IRTA contra a aerodinâmica, tal proposta deve passar a GPC com relativa pouca resistência.

Mas isso é para o futuro. Primeiro, temos de esperar e ver se alguma das quatro fabricantes decide recorrer da decisão do Tribunal de Recurso de MotoGP ao CAS.

O Maniamoto comenta o caso:

Primeiro, para entender a decisão da FIM, é inútil falar sobre o espírito dos regulamentos. A chave é: o livro dos regulamentos dita que tudo concordado pelo diretor técnico Danny Aldridge é legal … A Ducati conseguiu esse acordo por escrito e, por essa razão e só por isso, ela ganhou.

Segundo, a única decisão possível sob as circunstâncias atuais foi tomada. O que agora reserva o MotoGP? Mais reclamações ou todos se sentam à mesa do MSMA?

Terceiro, o silêncio da FIM. O próximo passo será um apêndice de regulamentos sobre a opaca aerodinâmica para o amador e um labirinto para os técnicos do MotoGP? A FIM pode precisar de mais tempo e mais ajuda técnica para ditar o tema da Ducati…

Quarto, muitos esquecem que o sistema não funciona sem as tampas na roda da frente que canalizam o ar para a “colher”. Para as outras fábricas não basta apenas copiar o dispositivo. Eles terão que entender como funciona e quais serão os possíveis efeitos negativos. Isso exigirá esforço e dinheiro. Esse é um dos motivos porque a Aprilia, a menor das fábricas, protestou em primeiro lugar.

Em suma, os fãs do MotoGP querem que os resultados sejam decididos nas pistas, e não em cafés e bolos em um escritório em algum lugar nas profundezas da Suíça…

Sejam felizes!