Padocck e mídia estãos obcecados por achar o ‘antiMárquez’.

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É verdade que o MotoGP 2020 está, como quase todos os esportes, parado em confinamento, apesar do fato de haver uma enorme ilusão que o campeonato, que começou esporadicamente no circuito de Losail (Doha, Catar) com os grandes prêmios da Moto3 e Moto2 , pode retomar pleno nos dias 19 e 26 de julho.

Marc Márquez treinando em pista de terra

Enquanto isso os pilotos treinam há semanas e todos, sim, montam, não em suas motos de corrida, mas em motos de ‘pista de terra’, com os quais treinam seus drifts visando depois aprimorar seus “slidings” no asfalto. Claro que não é a mesma coisa, mas, pelo menos, eles já voltaram a “enrolar o cabo do acelerador”.

O que não parou nesse período foi o desejo de encontrar no ‘paddock’ ou no mercado de pilotos o ‘antiMárquez’ – uma tarefa que está cada ano se revelando mais árdua dado o tremendo domínio exercido pelo campeão catalão desde que ele pisou no MotoGP, em 2013, ou, se queremos ser mais preciso, desde que ele estreou na categoria inferior, em Portugal, no ano de 2008.

Em busca do ‘antiMárquez´

Marc Màrquez conversa com Albert Puig, Diretor da HRC.

A surpreendente renovação por mais quatro anos, até dezembro de 2024, de Marc Márquez com a equipe oficial da Repsol Honda , detentora da Tríplice Coroa (campeonato mundial de pilotos, construtores e equipes), balançou todas as equipes, apesar de que a Yamaha deu um grande passo em direção ao seu futuro quando anunciou a dupla que tentará dificultar a escalada do garoto de Cervera, a partir de 2021, composto por Maverick Viñales e o francês Fabio Quartararo, o melhor ‘novato’ da última temporada, descartando “o popular” e campeão Valentino Rossi.

“Agora aprendemos a extrair o máximo da nossa moto”, declarou um contente M. Viñales.

A Ducati parece ter acordado e anunciou que o australiano Jack Miller, hoje na equipe satélite Pramac, será o piloto oficial da Borgo Panigale em 2021. “Mais gestão e menos emoção, por isso a Ducati me escolheu”, comentou o australiano.

“Estamos convencidos de que Jack tem tudo para poder lutar continuamente por posições importantes, em todas as corridas, começando nesta temporada com o Desmosedici GP20 da Pramac Racing Team e dar um grande passo adiante no próximo ano, graças ao apoio total da Ducati Team “, agradeceu o CEO da Ducati Motor Holding, Claudio Domenicali, durante a oficialização do contrato.

Os atuais pilotos da equipe oficial de fábrica, os italianos Andrea Dovizioso e Danilo Petrucci, encerram seus contratos no final deste ano, e pelo menos um deles vai deixar a estrutura para a próxima temporada. Petrucci foi o escolhido. “A Ducati foi a única que tomou as decisões finais sem esperar pelas corridas. É claro que estou surpreso, mas também estou muito sereno”, declarou um frustrado Petrux.

“Danilo agora terá três possíveis caminhos: Aprilia, KTM ou WSBK. Caso Dovizioso não continue na Ducati, especula-se que Jorge Lorenzo possa ser uma grande opção.

“Se alguém me ligar, eu estou disposto voltar ao MotoGP para ganhar o Campeonato“, declarou Lorenzo recentemente.

Um outro Jorge (Martin) foi escolhido para ocupar a sela de Miller na Pramac. Ele uma das grandes promessas do motociclismo e já havia declarado que queria ir para o MotoGP em 2021. Claro que ele quer fazer isso com o título de Moto2 debaixo do braço, como o fez quando migrou da Moto3. Ele está empenhado nisso agora, e, com o seu futuro já amarrado, poderá se concentrar mais intensamente nesse objetivo.

Na Ducati, ele terá uma GP21 igual à moto de Jack Miller e Dovi, se este continuar. Seu parceiro deve ser Pecco Bagnaia, que também precisa renovar. Martín, depois de passar pela Pramac, tem a opção de pular para a equipe oficial se conquistar bons resultados, algo que ambas as partes esperam.

O que poucos sabem é que a Honda testou o jovem piloto no início da temporada. Martín gostou muito da Honda, e, especialmente, de Alberto Puig, diretor da Repsol Honda. Eles o testaram, mas finalmente decidiram renovar com Cal Crutchlow que mudou sua ideia de querer deixar o MotoGP. A experiência do britânico na evolução da moto pesou na escolha da HRC. Além disso, Takaaki Nakagami tem o aval da Honda, e, quando Marc Márquez renovou, a Honda sabia que era importante para ele ter o seu irmão Alex Márques na mesma equipe.

A Suzuki renovou com os seus dois jovens espanhóis, Àlex Rins e Joan Mir, e esperava-se que Aprilia e KTM fizessem o mesmo com os irmãos Aleix e Pol Espargaró. Aleix deverá renovar com a Aprilia por mais dois anos, e esse acordo talvez seja o último de sua carreira no MotoGP.

Mas foi Pol Espargaró que ganhou os holofotes esta semana. Antonio Boselli , jornalista italiano da Sky Italia TV, que se move como um peixe na água no paddock de MotoGP, disse ontem no final da tarde que Pol Espargaró, líder do projeto KTM, entrou nos planos da Honda para 2021. ‘Polyccio’, como é chamado, que tem muito orgulho de ser a flecha do arco da marca austríaca, ainda não renovou com sua equipe. Duas horas depois do rumor da Sky Italia TV, o site Motorsport.com informou que o garoto Espargaró tinha um acordo verbal com a HRC.

Há apenas três dias, o próprio Pol reconheceu que “no final as equipes testam os pilotos e vice-versa; os gerentes conversam com todos, mesmo que não haja interesse de determinada marca. Assim, tanto a Ducati como a Honda, que são as fábricas que, em 2021, têm assentos livres, foram contatadas, como foi o caso também da KTM”.

Embora o estilo de Pol o favoreça na Honda, não consigo vê-lo na fábrica das asas douradas pelos seguintes motivos:

1) Alex Márquez não teve ainda a chance de mostrar do que é capaz no MotoGP, e se a Honda assinar com Pol para o lugar de Alex, possivelmente vamos ver Marc Márquez deixar a escuderia no final de 2023. A marca japonesa não irá querer correr esse risco.

2) A LCR Honda, conforme já declarou o seu diretor Lucio Cecchinello, espera manter os seus dois pilotos para a próxima temporada.

3) Puig declarou que o único acordo da Honda para 2021 até agora anunciado é a extensão do contrato de quatro anos de Marc Márquez.

4) “Não temos absolutamente nada fechado com alguém; estamos abertos a todos, mas Pol, depois de voltar na semana passada do teste que conduziu com Dani Pedrosa no Red Bull Ring na Áustria, está extremamente animado com esta temporada, por breve e por mais irregular que seja, onde ele espera conseguir um pódio para a KTM ”, comentou uma fonte próxima.

5) “Vi Pol muito, muito empolgado com a KTM deste ano”, explicou seu irmão Aleix Espargaró ontem, em uma videoconferência em que participou com outros convidados, organizado pelo Circuito da Catalunha e apresentado por Josep Lluis Merlos. “Eu o vi tão empolgado que disse a ele que este ano poderemos realizar o nosso sonho de subir ao pódio.” Com a Ducati eu não aceitaria; quero subir ao pódio com a Aprilia e ‘Polyccio’ quer fazer o mesmo com a KTM, porque nós trabalhamos muito duro com nossas marcas para colocá-las no pódio ”.

Enfim leitores do Blog Maniamoto, seu eu fosse o gerente do Pol e quisesse aumentar o valor do seu contrato com o atual empregador, vazaria rumores de uma oferta de contrato com outra equipe. Isso não deixa de ser uma tática útil, certo?

Por outro lado, o paddock tem todo o direito de estar desesperado por encontrar um “antiMárquez”. Na última temporada ele bateu o ‘Dovi’ por 151 pontos , ou seja, mais de 6 vitórias; Viñales, por 209 (mais de 8 vitórias); Rins, por 215 (8 vitórias); Quartararo, com 228 pontos (ou seja, 9 vitórias) e Miller, com 255 (mais de 10 vitórias).