Pecco Bagnaia não é bom o suficiente para a Ducati?

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Muitos leitores que acompanham o MotoGP estão surpresos que não haja uma palavra para Bagnaia, piloto da equipe satélite Pramac Ducati. Pecco foi campeão mundial de Moto2, e é um jovem talentoso. Ele foi contratado no ano passado como uma bela promessa, mas fez uma temporada medíocre. Será que ele não é bom o suficiente para a Ducati? Sua má performance pode afastar as futuras contratações de novos talentos vindos da Moto2?

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Para responder a essas duas difíceis questões, recorri a uma declaração recente de Joan Mir (Suzuki) sobre se sentir frustrado ao ver o desempenho de Fabio Quartaro como o melhor estreante do MotoGP.

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“Não, eu não sinto isso. Não sinto nenhuma ansiedade ou frustração, sinceramente. Ele tomou a decisão de ir para a Yamaha. Eu tomei a decisão de ir para a Suzuki. Este ano também parece ser o ano da Yamaha; todos os quatro pilotos estão realmente competitivos. Também tenho que dizer que Pecco Bagnaia tem um nível realmente bom e ele está lutando com a Ducati. Mas isso não significa que ele seja pior que Quartararo. Isso não é verdade. Olhe o ano passado não foi assim. O que acontece agora é que Fabio pilota uma Yamaha. Jorge [Lorenzo] pilotou muito bem com uma Yamaha. Contudo, Jorge com uma Honda parece que não funcionou. É tipo isso.”

“Este esporte depende 50% do piloto e 50% da moto. Correr com a Suzuki é muito bom. Estou competitivo. Mas precisarei de mais tempo para ser como o Quartararo. Vou precisar de um ano, ou até dois. Quem sabe? Mas estaremos lá com certeza porque estou com um fabricante que se esforça para ter sucesso, e também farei o mesmo. Estaremos lá com os melhores. Pecco também estará com os melhores, porque ele é um bom piloto. Vamos lutar com o Fabio, e é isso.”

“Talvez um dia Fabio comece a lutar, porque o que aconteceu conosco agora, ele passará por isso mais tarde. Ele lutará mais tarde e começará a trabalhar mais tarde. Parece que ele andou em sua moto e foi rápido em sua primeira corrida. É isso que aconteceu.”

“Mas estamos trabalhando. Não olhamos para Quartararo. Não olhamos para ninguém. Nós olhamos para nós mesmos. Olhamos para o primeiro piloto, que atualmente é Marc, e é isso. Tentamos diminuir a distância com os melhores, ou seja, Marc ou Quartararo ou Valentino, quem quer que seja. Nós apenas olhamos para quem é o primeiro piloto.”

Bagnaia enfrentou um pouco mais de pressão no ano passado que Quartararo, mas a Ducati também lhe ofertou um pouco mais de paciência. Eles o contrataram muito cedo – em janeiro de 2018 – e ainda acreditam nele. Ele estará pilotando uma GP20 este ano, o que o colocará em pé de igualdade com os outros pilotos da Ducati. Acredito que ele terá pelo menos mais um ano com marca, mas qual equipe – oficial ou satélite – dependerá de seu desempenho neste ano.

Bagnaia não terá seu contrato assinado com antecedência. Antes ele precisa provar a si mesmo que merece continuar no time, e a Ducati pode dar-se ao luxo de esperar. Penso que a maioria dos pilotos não será contratada entre Mugello e o pós férias de verão, em Brno. Há alguns – Marc Márquez, Alex Rins, Joan Mir e Jack Miller – que serão contratados mais cedo. O resto provavelmente terá que esperar um pouco mais.

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A Ducati desmosedici é difícil de pilotar? A moto foi considerada a melhor do grid nos últimos três anos. Jorge Lorenzo conseguiu vencer com ela vindo da Yamaha, e Gigi Dal´Ignea prometeu para este ano um novo motor com mais potência e um novo chassis – que todos esperam melhore o giro da moto nas curvas.

Não há rumores atuais sobre o futuro de Andrea Dovizioso, mas o fato de a Ducati ter jogado muito dinheiro tentando atrair Maverick Viñales ou Fabio Quartararo (ou ambos) diz tudo o que precisamos saber sobre como eles veem Dovizioso atualmente.

O italiano completará 34 anos este ano e está mais perto do final de sua carreira do que do começo. Dovizioso entrou no MotoGP no mesmo ano que Jorge Lorenzo, que acabou de se aposentar. Dovizioso é o último da sua geração no MotoGP. Se ele receber um novo contrato, provavelmente será por um ano.

Há uma série de jovens esperando avidamente nos bastidores para tomar o seu lugar e o de Petrucci, que segundo alguns, poderá ir para o WSBK em 2021. Os pilotos de Moto2 assinaram contratos de um ano, apenas para 2020, sabendo que vários lugares desejáveis estarão disponíveis em 2021 na categoria rainha. Augusto Fernandez, Luca Marini, Fabio Di Giannantonio, Jorge Navarro, Jorge Martin, Enea Bastianini, e Remy Gardner — qualquer um deles pode chegar ao MotoGP.

Não sou muito versado no estudo da natureza humana, mas sei que é sempre glorioso vencer. Um simples devaneio de estar pilotando uma Ducati contra Marc Márquez é o suficiente para agitar e perturbar a alma desta nova geração.