Qual moto é perfeita para Le Mans?

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Qual moto é perfeita para Le Mans? Como sempre, não há realmente uma. Mas como a pista tem características de stop-and-go, a moto precisa ser montada para uma frenagem brusca e para uma forte aceleração nos cantos. Na maioria das curvas, você freia, solta e vira, em vez de prolongar a frenagem até a curva. Isso requer uma moto que seja estável durante a frenagem, e que pode ser lançada em uma curva rapidamente e que mantenha uma linha estreita.

A saída de curva é a chave. Onde você faz tempo em Le Mans é na aceleração, erguendo a moto rapidamente na saída das curvas. Isso requer que a moto tenha uma boa frenagem traseira bastante forte, boa aderência mecânica e o “wheelie” controlável. Quanto mais rápido que você sair da curva, mais cedo você chegará na próxima para repetir a manobra.

Coloque todas essas características juntas e é fácil pensar que essa é uma pista para a Ducati. Para ser justo, deveria ser. Nos últimos três anos, Andrea Dovizioso qualificou-se na segunda linha do grid e esteve em contenção na frente da corrida. No ano passado, ele chegou a liderar brevemente, antes de perder a frente em La Chapelle. Ele havia assumido a liderança de seu então companheiro de equipe Jorge Lorenzo, antes de Lorenzo cansar e cair para o sexto lugar. Contudo, Danilo Petrucci colocou a Pramac Ducati no pódio em 2018, provando que a moto pode ser rápida em Le Mans.

A Ducati está ainda mais forte este ano. A moto gira um pouco melhor, e é bastante estável nas frenagens, e tem a melhor aderência mecânica do grid. A aceleração nas marchas inferiores (até 3º marcha) também está mais forte, o que é importante nas curvas lentas de Le Mans. O pacote aerodinâmico superior da Ducati ajuda a reduzir o wheelie e a ganhar velocidade e estabilidade na curva do Chemin aux Boeufs.

No ano passado, Andrea Dovizioso chegou a Le Mans após o desastre em Jerez, onde Jorge Lorenzo e Dani Pedrosa conseguiram colidir na curva agora com o nome de Dani Pedrosa. Isso colocou pressão sobre o italiano e o fez forçar um pouco demais e muito cedo.

Este ano Dovizioso chega a Le Mans em terceiro lugar no campeonato, estando atrás do líder e principal rival ao título – Marc Márquez – por 3 pontos, em vez de 24. Fortes pistas favoráveis à Ducati virão – Mugello, Barcelona – e com Le Mans, uma pista que favorece Ducati, e onde as Hondas lutam, este é um bom lugar para recuperar alguns pontos, e, ao mesmo tempo, não há a necessidade de apostar tudo aqui, em Le Mans.

Todavia, Andrea Dovizioso teve até agora ritmo semelhante ao de Quartararo, ficando aborrecido consigo mesmo pela sua atuação nesta sexta-feira. Ele não teve uma sensação perfeita com a moto, mas a velocidade era boa com pneus usados. O problema dele era que estava forçando demais, sendo muito agressivo em busca de um bom tempo de volta. Ele precisa encontrar um pouco de calma na pista, andar mais tranquilamente. Se Dovi conseguir fazer isso, ele acredita que pode competir pela vitória, ou pelo menos pelo pódio.

Ah…mas tem o clima! O clima é uma amante volúvel para as corridas de motos. Os pilotos de MotoGP acabaram de passar por duas sessões em condições secas e relativamente ensolaradas à procura da configuração perfeita, e todo esse trabalho poderá ser desperdiçado. A chuva é esperada durante à noite, e depois todo o dia no sábado, a partir das 10 da manhã, na hora do FP3. O domingo possivelmente ficará úmido, em vez de molhado, então até mesmo a configuração encontrada no sábado será de pouca utilidade no dia da corrida. Assim, a corrida será uma espécie de aposta.

Enfim, assistimos muita coisas nesta sexta-feira. Ficamos sabendo que Marc Márquez e Maverick Viñales têm o melhor ritmo de corrida, um par de décimos mais rápido que o grupo considerável capaz de lutar pelo terceiro lugar. Ficamos sabendo que Marc Márquez ainda é capaz de fazer “saves” aparentemente impossíveis, embora isso também seja um presságio de problemas com a Honda – nem Jorge Lorenzo nem Cal Crutchlow conseguiram fazer a mágica de Márquez, ao invés disso acabaram no cascalho. Ficamos sabendo que Alex Rins ainda não consegue fazer uma única volta rápida, apesar de ter um ritmo de corrida muito bom, conforme já comentamos em matéria previa aqui no Maniamoto. Um braço oscilante de carbono era o que Pol Espargaró vinha testando em segredo em Jerez. E que Fabio Quartararo é um genuíno concorrente.