Rossi:”Com a Honda, talvez eu tivesse quebrado os recordes de Agostini”.

227

“Ganhei menos aqui (na Yamaha), mas foram os melhores anos da minha vida”
Valentino Rossi

Valentino Rossi correu o seu 400º Grande Prêmio no MotoGP em Phillip Island, na Austrália. Um total de 24 anos na elite do motociclismo, uma vida eu diria. ‘Il Dottore’ poderia comemorar efusivamente essa prova se tivesse terminado no pódio, mas acabou ficando em oitavo lugar, após realizar uma grande ultrapassagem pelo lado de fora na primeira curva,  no  início da prova.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é rossi-2019-australia.jpg

Depois de terminar a corrida, o italiano participou de um bate-papo com a mídia de seu país para rever os melhores momentos de sua jornada na competição. Ele analisou o que foi e o que poderia ter sido.

Nesse sentido, a Yamaha foi boa em seu início, notadamente na corrida da África do Sul em 2004, sua primeira vitória na Yamaha. “Certamente foi o auge da minha carreira. Deixei a Honda, que era muito superior ao resto, e fui para a Yamaha, que estava passando por uma crise”, lembrou ele à La Gazzetta. Para que vocês tenham uma ideia, a Honda RC211V V5 ganhou 16 de 17 corridas em 2003. Em contraste, a Yamaha YZR-M1 era uma vergonha. A moto não venceu uma única corrida naquele ano. Para alguns, essa mudança foi o maior desafio na carreira de Rossi.

No entanto, ‘Il Dottore’ não se arrepende de nada do que fez. “Eu não mudaria nada do que fiz durante a minha carreira, foi o passo mais decisivo. É verdade que às vezes penso em tudo o que eu poderia ter ganho se tivesse ficado mais cinco anos com a Honda. Talvez eu tivesse quebrado os recordes de Giacomo. (15 títulos e 122 vitórias), expressou o piloto da Tavullia.

Vale migrou para a Yamaha por se sentir desvalorizado, após a Honda lhe oferecer um salário muito próximo ao do segundo piloto. Na época, os dirigentes da fábrica acreditavam que a sua moto era mais importante que o piloto. Mais tarde, Rossi descobriu o quanto era importante para sua carreira ganhar com outra moto o título do MotoGP. Em outras palavras – Valentino foi para Yamaha por questão financeira e não por desafio.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é 73458870_2758698297494932_2789064544121520128_n.jpg

Aprofundando-se no aspecto da contratação da Yamaha e em todos os anos em que esteve no time, ele disse: “Ganhei menos aqui, mas foram os melhores anos da minha vida. Exceto em 2006 e 2007, quando perdi dois Campeonatos para Hayden e Stoner, ele confessou”.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Rossi-Stoner-Laguna-Seca-740x662.jpg

Mas ele se recompôs e venceu os próximos dois anos seguidos. Primeiro, o próprio Stoner em Laguna Seca com as famosas freadas “precoces” nos cantos forçando Stoner a sair do traçado ideal, causando a sua queda. Rossi sabia que essa estratégia (suja?) iria desestabilizar emocionalmente Casey, forçando-o a errar.

Na época foi sugerido o livro de George Orwell (1984, Animal Farm) para Stoner ler: “Esporte competitivo não tem nada a ver com “fair play”. Está ligado ao ódio, ao ciúme, a glória, ao desrespeito de todas as regras e ao prazer sádico em testemunhar a violência. Em outras palavras – é a guerra sem tiroteio.”

“Todo homem tem o seu lado escuro”. Após este episódio, Stoner acusou Rossi de pilotagem perigosa. Casey não foi o único – Colin Edwards o chamou de violento, e Troy Bayliss de louco. Rossi mais tarde comentou: “Aquela corrida não foi uma prova, foi uma batalha. Em 2009, Rossi venceu Jorge Lorenzo, seu companheiro de equipe na época.

Em 2010, Rossi deu um passo em direção à Ducati com o objetivo de fazer história – se tornar o primeiro piloto a ganhar o título do MotoGP por três diferentes fábricas. Mas a mudança revelou ser um fiasco, mesmo após a moto ter sido amansada para ele. Stoner domou a Desmosedici usando suas habilidades adquiridas em pistas de terra. Para rodar na subviragem da Ducati, ele usava uma combinação de freio traseiro e acelerador para inclinar a moto no meio da curva. Manobra considerada muito arriscada por Rossi e seu técnico — Jeremy Burgess.

Muitos acreditavam que a sua aposentadoria estava chegando, mas ele tirou um ás da manga. É verdade que ele não voltou ao nível que tinha anos atrás, mas continuou a competir. Em 2013, ano do seu retorno à Yamaha, ele ganhou a confiança de Lin Jarvis em retornar e, graças a isso, acabou vencendo uma corrida em Assen. “Foi um dos momentos mais importantes da minha carreira.”

O que poucos sabem é que Rossi, na época, considerou o seu regresso à Honda para mostrar aos dirigentes mais uma vez que é o piloto, e não a máquina, que mais importa no motociclismo.

Rossi não vence um Campeonato há 10 anos e parece difícil fazê-lo novamente, vendo o atual domínio de Márquez, e o surgimento de uma  nova e forte geração. No entanto, sua paixão por motocicletas e seu desejo de competir o aproximam da renovação em 2021, caso ele obtenha bons resultados com a nova M1 no próximo ano. A única certeza que temos, por enquanto, é que teremos mais de Valentino Rossi no próximo ano.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é UNSTIM6ECNBG5LF53MDCWLHJXM-1.jpg

Enfim, é consenso hoje que ninguém carregou mais o MotoGP que Rossi. Tal é o seu apelo na mídia que muitos temem “quando ele se for, o MotoGP ficará como um deserto”. O perfil pop star de Rossi não está aqui em questão, nem o seu talento fascinante. A única questão que resta é saber se ele continuará sendo o maior piloto de todos os tempos quando Marc Márquez atingir ou ultrapassar seus noves títulos mundiais…