Suspensão de Andrea Iannone por doping: o que acontece a seguir?

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Hoje é dia de descanso no Dakar – o rally mais importante do mundo –, e o Maniamoto volta a atenção para o que aconteceu de mais importante na semana no MotoGP. O ano de 2020 deve ser grande para a Aprilia. A reorganização liderada pelo CEO da fábrica, Massimo Rivola, ajudou a liberar o engenheiro Romano Albesiano de outras funções, permitindo-o projetar a nova RS-GP a partir do zero. Espera-se que a moto seja muito mais competitiva do que a antiga V4 com um motor em 75 graus, diferente dos habituais 90 da Honda, Ducati e KTM.

Mas eles entram em 2020 com todas as chances de ficar sem uma parte importante de seu programa de MotoGP. O advogado de Andrea Iannone confirmou ao diário esportivo italiano Gazzetta dello Sport que a amostra B de Iannone do teste de drogas também revelou-se positiva. O italiano agora enfrentará uma proibição de seis meses a quatro anos pelo uso do esteróide anabolizante drostanalone.

As quantidades encontradas na amostra foram mínimas, disse o advogado de Iannone, Antonio De Rensis, à Gazzetta. “A contra-análise mostrou a presença de metabólitos iguais a 1,15 nanogramas por mililitro”, disse De Rensis, levando em consideração que a amostra estava extremamente concentrada devido à desidratação da Iannone na corrida quente e úmida do MotoGP na Malásia. Isso indicaria uma concentração ainda mais baixa, afirmou o representante de Iannone, contribuindo para a teoria de contaminação acidental por alimentos, segundo ele.

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A esta defesa seguiu-se uma outra entrevista de Iananne à Gazzetta. Sepang foi a primeira vez que ele foi submetido ao teste este ano, mas no ano passado o italiano foi um dos cinco pilotos escolhidos para seguir o programa ADAMS, o sistema em que o atleta precisa notificar continuamente o seu paradeiro e informar onde está e o que está fazendo, e estar disponível para realizar vários testes durante a temporada. Todos esses testes revelaram-se negativos. “Não tenho plano B”, disse Iannone à Gazzetta. “Motos são a minha vida, e eu não sou um tolo que arrisca tudo.”

As opções de apelação da Iannone são limitadas. A FIM, como a maioria das federações esportivas internacionais, adotou o código da WADA (Agência Mundial Antidoping), que afirma explicitamente que os atletas são responsáveis pelas substâncias encontradas em seus corpos. Pode haver circunstâncias atenuantes, mas como a drostanolona, um esteróide anabólico androgênico, é chamada de ‘substância não especificada’, ela é vista como uma substância extremamente improvável de ser encontrada como resultado de processos naturais ou contaminação acidental.

Uma vez que os resultados da amostra B sejam anunciados oficialmente, Iannone será automaticamente banido de todas as competições por até 4 anos. Ele pode apelar contra a proibição e a sua duração, assim que receber a notificação oficial. O primeiro apelo deve ser feito ao CDI, o Tribunal Disciplinar Internacional da FIM, e apresentado dentro de 5 dias após o resultado.

Uma vez que o CDI tenha recebido a apelação, o tribunal tem 45 dias para considerar suas conclusões. Se o CDI se opuser a Iannone, o italiano poderá levar seu caso ao CAS, o Tribunal de Arbitragem do Esporte, como o tribunal de último recurso. O tempo que uma apelação do CAS pode demorar varia, mas pode demorar muito tempo.

É o fim de Iannone?

O fracasso em ser aprovado no teste antidoping coloca Andrea Iannone em uma situação muito difícil. Aos 30 anos, ele não pode se dar ao luxo de cumprir uma proibição total de quatro anos, a duração automática se ele não puder convencer o CDI ou o CAS a intervir. As regras de doping da FIM permitem que a proibição seja encurtada em duração, ou mesmo reduzida a uma repreensão, se nenhuma falha significativa puder ser comprovada, como seria o caso se a contaminação pudesse ser comprovada.

No entanto, o ônus dessa prova é extremamente pesado. Os pilotos são responsáveis pelas substâncias encontradas em seus corpos e a versão de que ele não tinha como suspeitar que estava consumindo produtos contaminados é realmente muito difícil de ser considerada.

Mesmo uma proibição de um ano pode ser fatal para a carreira de Iannone. Com os contratos de todo o grid em disputa no final de 2020 e uma série de jovens pilotos que desejam deixar a Moto2, é mais fácil para as equipes e fabricantes passarem por Iannone em favor de novos talentos.

No momento, tudo isso ainda não foi confirmado oficialmente. Nenhum anúncio foi feito oficialmente pela FIM, e Iannone não entrou oficialmente com um recurso no CDI. Nos próximos dias saberemos muito mais…