Suzuki e Alex Rins se elevam no MotoGP.

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Rins é discreto em seu estilo de pilotar. É aquele tipo de piloto que costuma passar despercebido durante uma prova da categoria rainha. Contudo, seu jeito suave com o acelerador permite estender a vida útil dos pneus de sua moto. E, qualquer entusiasta de MotoGP sabe que corridas sempre foram sobre pneus. Alguns arriscam a dizer que o MotoGP se tornou uma competição de pneus.

No momento em que os pilotos se envolvem em uma disputa para vencer, farão o que for necessário para isso. As escolhas técnicas e a habilidade do piloto irão permitir que eles lutem até a última volta. Por outro lado, os espectadores, que estão na pista ou na frente de suas TVs, querem empolgação. Às vezes, mas nem sempre, esses dois objetivos são satisfeitos simultaneamente. E foi isso o que aconteceu na última prova do MotoGP.

Em Austin, Alex Rins conquistou a sua primeira vitória no MotoGP. O espanhol ficou muito feliz por finalmente dar o primeiro passo na categoria rainha. Com o resultado, ele se tornou o primeiro piloto a vencer em todas as três classes em Austin, tendo anteriormente triunfado na Moto3 e na Moto2. Durante a coletiva de imprensa, quase uma hora de comemorações e entrevistas intermináveis, Rins ainda estava excitado, agitado e encantado.

“Foi inacreditável”, disse Rins. “O sentimento foi incrível. Durante o fim de semana, sinceramente, meu sentimento não foi o melhor. Sofremos um pouco para parar a moto nos pequenos ângulos de inclinação. Quando começamos a corrida eu tentei esquecer tudo, tentei só pilotar. Recuperei muitas posições na primeira volta, então isso foi importante.”

Rins usou Rossi como guia explicou ele. “Quando eu estava atrás do Valentino, quase 1,5 segundo, mais ou menos, eu pensei: “Vamos lá, Alex. Você precisa chegar; você precisa criar um pouco de espetáculo”. Ele conseguiu fazer exatamente isso. “Encostei no Valentino e passei a estudá-lo. No final, quando ele cometeu um pequeno erro, eu o ultrapassei. Fiz as últimas três voltas, quatro voltas na primeira posição e mantive até o final.”

Mas a vitória não estava garantida. “Eu cometi um pequeno erro nos freios no T11. Espalhei um pouco. Fiquei pensando: agora o Valentino vai me ultrapassar na reta e tchau. Mas ele veio comigo. Ele também espalhou um pouco. Eu tentei ficar do lado de fora na última volta. Eu sabia que o Valentino tem muita experiência nestas situações”.

Depois da bandeirada, Rins acenou com uma perna comemorativa “acima” de sua cabeça, depois apertou a mão de Rossi enquanto pulavam lado a lado. Logo que chegou ao “cantante” time da Suzuki, Rins foi apanhado e jogado no ar. Foi um momento poderoso: a primeira vitória da Suzuki no MotoGP desde Maverick Viñales em Silverstone em 2016. Agora eles existem…

“Estou superfeliz. A Suzuki mereceu esta vitória. Juntos todos nós a merecemos, por isso precisamos continuar na mesma linha”. Rins fez questão de expressar sua gratidão à Suzuki por confiar nele, e por trabalhar para tornar a moto competitiva o suficiente para vencer corridas. “Esta vitória é incrível para a Suzuki”, disse ele. “Eles trabalharam muito duro. Este é o meu terceiro ano com eles. No ano passado nós fomos muito fortes na última parte da temporada. Na pré-temporada nós trabalhamos muito duro para ter uma moto competitiva, melhor que a do ano passado, e nós conseguimos isso”.

Rins tem a moto mais equilibrada do MotoGP? Ele acredita que sim. Mas há uma limitação. Quando ele tem uma honda ou uma Ducati pela frente – motos que usam o “stop and go”, ele não consegue usar as vantagens da Suzuki na curva e consome mais os pneus. Contudo, quando ele tem uma pista livre à frente, é possível entrar rapidamente nos cantos e sair na mesma velocidade, o que é positivo para os pneus.

Rins é um candidato ao título este ano? Rins sabe que estas três corridas foram incomuns. Mas há um dado interessante: as chamadas “motos lentas” – Yamaha e Suzuki – prevaleceram em uma corrida de curso rápido como Austin. Rins acredita que as pistas europeias podem ser boas para eles – pistas como Jerez, Le Mans, Assen, Misano e Aragón”. A Suzuki tem duas motos com uma boa configuração, e deverá receber pequenas melhorias no decorrer do Campeonato.

Jack Miller: “Eu acho que este é o começo de algo grande para a Suzuki e Alex Rins”.