TT ILHA DE MAN: RELATO DE VIAGEM

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Na semana que se passou, teríamos mais uma Edição do TT Ilha de Man, mas por conta da pandemia do Coronavírus (COVID-19), o Evento foi cancelado, no dia 16 de março, trazendo a frustração de apaixonados pela motovelocidade de todo mundo, mas, em especial, de muitos brasileiros que aguardavam ansiosos pelo retorno do nosso Road Racer brasileiro Rafael Paschoalin, a lendária Ilha. Em 2019, ou seja, na última edição do TT Ilha de Man, estivemos presentes, vivenciando toda a magia e adrenalina dessa isolada e incrível Ilha, durante uma semana. Nesse artigo, iremos relatar resumidamente como foi essa experiência.

Foto: @odezito – Creg Ny Ba – Ilha de man.
  1. PLANEJAMENTO

O início do planejamento ocorreu com 18 meses de antecedência, onde criei um grupo de WhatssApp e adicionei quatro pessoas realmente interessadas em realizar a viagem, na época, antecipei que o valor total da viagem não poderia ultrapassar os 10 mil reais. Com esse grupo começamos a realizar pesquisas e informações para a tão sonhada viagem a Ilha de Man, entre elas, garantimos a reserva com a Romilda (Brasileira morando na ilha de Man), em sua casa, que já postava vídeos em seu facebook sobre o TT, logo depois, faltando um ano, garantimos os bilhetes da balsa, que acabam rapidamente após a abertura das vendas, na mesma época do início do TT.  Com a hospedagem e uma das formas de chegar a ilha garantidas (outra é por avião), faltava somente o traslado Brasil-Europa, que com o monitoramento diário de promoções, foi adquirida no final de 2018.

Foto: Arquivo pessoal. Legenda: Grupo hospedado na casa da Brasileira Romilda Dentith, casada com o nativo Alan.

2. A VIAGEM

Chegamos na Ilha de Man, por Belfast (Irlanda do Norte) para a semana de Corridas do Troféu Turista (TT) Ilha de Man, no domingo, próximo das 18 horas, após 2:30 horas e 180 km mar a dentro, revolto, ali naquela balsa, cheio de motociclistas de todo o mundo, já era spoiler do evento, pois além da animação da turma no Bar da balsa (Risos), das centenas de motos no andar da garagem, da incrível velocidade de 65 km/h que a balsa atingia, deu um pouco de receio do mar, seria o resultado do mix de sentimentos semelhantes que o TT ilha de Man apresentaria nas corridas.

O primeiro contato com as ruas da Ilha foi de muita empolgação da turma e do Allan (nativo da ilha de Man e casado com a brasileira Romilda), que com seu Inglês à Manx, nos apontava sem parar para todos os cantos, enquanto passávamos por parte do circuito indo a sua casa, foi indescritível, era só parte do circuito, uma rua normal, mas para nós era a concretização de um sonho, transitar pelo local da corrida de motos mais perigosa do Mundo, a Ilha de Man.

Logo no primeiro dia de corridas(segunda-feira), passamos pelos boxes, tudo com livre acesso, esbarrávamos em motos e pilotos por todos os lados, logo procuramos uma rua para assistirmos ao show, quando passou um lastro morro a baixo e gritos alucinados nas calçadas, era o TT fora dos vídeos do Youtube, ao vivo e a cores! Infelizmente, nesse dia, também conhecemos o porquê de ser chamada corrida da morte, pela rádio, ouvíamos a notícia de mais uma morte no TT e a consequente interrupção e encerramento da primeira corrida, da categoria Superbike, que foi vencida pelo inglês Peter Hickman, de BMW-S1000RR.

Foto: Arquivo pessoal. Box da equipe Honda Road Racing.

Na terça-feira, com chuva, dia sem corrida e com as ruas abertas, andávamos em torno do Grandstand (local de largada, boxes e toda a estrutura principal do evento), registrando muitas imagens, observando a imperfeição do asfalto (tipo as principais avenidas do brasil) e as marcas deixadas pelas motos. Além disso, Allan (O Manx, nome que se dá ao nativo da Ilha) gentilmente nos levou (seis cabeças espremidas numa Toytota com a suspensão batendo) para conhecer os pouco mais de 60 km do circuito, contando histórias a cada trecho e visitando o Museu Murray’s Motorcycle, outra grande atração da Ilha e claro o topo da montanha, conhecendo a estátua de Joey Dunlop.

Foto: Arquivo pessoal. Legenda. Topo da montanha do circuito do TT Ilha de man, ao lado da estátua de Joey Dunlop, maior vencedor do TT.

Já estamos na quarta-feira e o tempo instável continuava no trecho da montanha, logo trouxe adiamentos de provas, chegamos a correr o risco de não ter a continuação do Evento (com chuva não tem corrida) e depois de muitas idas e vindas pelas ruas, mais um dia sem corridas, só nos restava descansar ou ir para o Grandstand, ora, corremos para acompanhar os pilotos pelo paddock, descansaria no Brasil, quando voltasse (Risos), e fui contemplado com autógrafos e fotos com Michael Dunlop e John McGuinness,dentre outros, só para falar das lendas.

Foto: Arquivo pessoal. – John McGuinness, maior vencedor, vivo, do TT ilha de man.

Na quinta-feira, São Pedro colaborou e fomos agraciados com cinco provas do TT (Supersport, Superstock, Sidecar, Elétrica, Lightweigh) num belo dia de sol, clássico, mesmo com tantas corridas em um dia, que iniciaram às 10:00 da manhã e foram até as 16:00 horas e presos em apenas dois locais de observação, não foram suficientes para saciar nossa fome pelo TT, ainda aguardávamos ansiosos pela corrida principal, a TT Senior Race e suas 06 voltas e pouco mais de 360 km rodados, que aconteceria, se São Pedro deixasse, na sexta-feira, o último dia do TT.

Acordei logo cedo e coloquei o pé na rua em direção ao Grandstand, para cortar caminho passava sempre por dentro de um cemitério, que ficava em frente a largada do TT (risos). Com o apoio da Motul, recebi uma credencial VIP de acesso a largada (isso que é ser privilegiado e zerar a vida na motovelocidade – rss), acompanhando todas as 34 largadas, a cada 10 segundos, vivenciando de perto o sentimento de cada piloto, mecânicos e familiares, recebi alguns acenos em minha direção dos principais e mais corajosos pilotos do mundo, era o auge de uma viagem idealizada em muitas mãos, mas que naquele momento, era vivenciada solitariamente. O clima era muito angustiante na preparação da largada, um misto de felicidade e medo, rodeavam o momento, muito diferente de tudo que já acompanhei na motovelocidade, como na largada da MOTOGP, que estive no mesmo ano, na Argentina (isso é para outro artigo).

Foto: Arquivo pessoal. Largada categoria sênior do TT.

Acompanhei a corrida da sênior em lugar privilegiado, junto a mureta dos boxes, com integrantes das equipes, aguardando os pilotos para troca de pneus e abastecimento (volta 2 e volta 4), vi a disputa intensa entre Peter Hickman e Dear Harrison (vencedor na ultima volta), a frustração de Michael Dunlop e a torcida pelo local Conor Cummins, pela vitória. Ali com a chegada de Dear Harrison ao parque fechado, cortando giro e queimando pneu, encerrava-se mais uma edição do TT e concluía-se a realização de um desejo/um sonho: Ver de perto a corrida de rua mais perigosa do mundo, o TT ILHA DE MAN.

3. CUSTOS

Talvez muitos imaginem que visitar a Ilha de Man e assistir ao TT possa ser algo muito caro, inacessível, mas com um pouco de planejamento e um pequeno grupo, pode ser um pouco mais fácil (fora da questão de pandemia) e lhe garanto: valerá muito a pena!

Em 2019, conseguimos um câmbio entre R$ 4,80 a R$ 5,60 (média de R$ 5,20). Partindo dessa média de cambio e considerando a viagem com no mínimo 04 pessoas, repasso os gastos principais, relacionados ao básico, para você ir a acompanhar o TT Ilha de Man.

Passagem aérea São Paulo – Dublin (Irlanda) – R$ 2300,00

Hospedagens em Dublin (2 diárias) – 88 libras – R$ 457,00

Hospedagem na Ilha (6 diárias), em casa de local – 210,00 Libras (R$ 1092,00)

Bilhete Balsa (ida e volta) 110,00 libras – R$ 572,00

Traslado (trem e ônibus) 60 libras – R$ 312,00

A alimentação vai variar muito do seu perfil e seu objetivo, na Ilha você não terá muito tempo para almoço em restaurantes e sua alimentação será basicamente hambúrguer, chopp e chocolate quente. Para quem não quer gastar quase nada, recomendo fazer sanduíches na hospedagem e levar em uma mochila térmica, vale a pena! Mas, se quiser ter um valor de custo diário na ilha, sem luxo, pode variar de 15 (sem bebida alcoólica) a 50 libras (bebendo) por dia, dependendo da sua sede. Eu não gastei mais que 35 libras por dia, mas meus colegas chegaram a gastar quase o dobro, em alguns dias, com um pouco mais de sede (risos).

Somando todos esses gastos de forma geral, em tempos normais, econômicos, o valor para ir acompanhar de perto o TT ilha de man gira em torno de R$ 6500,00.

4. DICAS

  • Não viaje com mais de 4 pessoas, com grupos maiores dificulta a hospedagem, aluguel de carro e toda logística matutina de saída e chegada dos locais;
  • Não leve pessoas que não gostam de moto, de corrida, em especial não viaje em casal, se não atender a esses requisitos e muito menos, seja o único casal;
  • Bagagem só de mão, nada de malas, pois além de dificultar a locomoção aumenta o custo da viagem e inviabiliza o deslocamento em alguns locais, ocupa espaço em bagageiros etc, já que você não estará sozinho;
  • Leve um carregador portátil de celular, compre o Chip da operadora em Dublin que funcione na Ilha, como por exemplo da Vodafone.
  • Leve um tênis confortável, você irá caminhar longas distancias (se é sedentário, comece a caminhar pelo bairro antes da viagem e conheça seu limite, cheguei a andar 18 km em um dia), o tempo de deslocamento na ilha é curto, pois as ruas ficam abertas, entre as corridas, para locomoção em horários muito restritos.
  • Se quiser alugar moto, veja com antecipação de 12 meses ou mais, depois disso você não irá conseguir, prepare o bolso.
  • Planeje os pontos de observação da corrida, como irá chegar e quais os dias ou corridas pretende ir com o grupo, combine tudo antes de chegar na ilha e não terá grandes problemas, seja flexível, evite conflitos, mas não perca a oportunidade única, aproveite a Ilha!
  • Lembranças, camisetas, moletons, jaquetas etc, você terá que estar com o bolso preparado, nosso cambio nos maltrata, um moletom custa entre 40 e 60 libras, uma jaqueta 90 libras, Camisetas das equipes 25 libras, oficiais do evento, 10 libras.

5. CONCLUSÃO

Quero voltar, e você? quando vai?

Foto: Arquivo pessoal. Crag ny Baa, parte final do trecho da montanha do circuito TT ilha de man.

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André Tiago Dias da Silva – @odezito