Valentino Rossi: “Não quero ter arrependimentos lá na frente”.

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“Ter um novo chefe de equipe não significa que assinarei um novo contrato para 2021. Vou esperar os resultados das primeiras corridas de 2020 antes de tomar qualquer decisão”
Valentino Rossi

O que faz um líder técnico ou chefe de equipe no MotoGP? O papel principal do chefe de equipe é atuar como coordenador, decifrar o que o piloto disse; depois transformar isso em um caminho técnico para a moto, e entregar esse caminho aos assistentes técnicos (por exemplo, suspensão, eletrônica) para que sejam feitas as alterações. Em outras palavras, ele usa a sua profunda experiência para entregar a moto ideal ao piloto.

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Valentino Rossi decidiu que para 2020 ele mudará seu líder técnico. David Munoz {foto acima}, hoje ao lado de Davide Bulega na Moto2, e do campeão mundial Pecco Bagnaia, em 2018, substituirá Silvano Galbusera, seu antigo chefe.

Fazia algum tempo desde que se falava em outra mudança na garagem de Rossi – Galbusera chegou em 2014 no lugar de Jeremy Burgess – mas ele estava pensando em um técnico especializado, como, por exemplo, Ramon Forcada. Mais uma vez, Rossi surpreende a todos ao levar um jovem técnico (41 anos) sem experiência em MotoGP para o seu lado.

“Queremos tentar ser mais fortes e Galbusera quer passar mais tempo em casa. Assim, ele será o chefe da equipe de teste. Para mim, é melhor tentar, e talvez cometer erros, em vez de ficar satisfeito com o que tenho hoje”.

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Essa troca não deixa de ser uma aposta. Mas o próprio Galbusera já tinha sido uma quando veio do WSBK, e nunca havia trabalhado antes no MotoGP. É verdade que ao seu lado ele terá engenheiros e técnicos que sabem tudo sobre a M1, pneus, eletrônicos e tudo o mais necessário hoje para serem competitivos nessa categoria, mas a escolha de Valentino continua sendo surpreendente.

É uma situação semelhante à de Jeremy Burgess? “Com ele, tinha sido um pouco diferente e muito mais difícil, porque estávamos juntos há 15 anos … parecia-me que Jeremy não tinha mais tanta motivação e eu o vi um pouco cansado; com Silvano foi diferente, mas é sempre difícil, porque além do relacionamento profissional, você se apega à pessoa. Mas eu o vejo sereno; sei que ele vai nos apoiar, ainda que lidere a equipe de teste”.

O tempo dirá se foi certa ou errada a escolha. Para nós, o que chama a atenção nessa decisão é o desejo contínuo de Rossi de se questionar, apesar dos 40 anos e de tudo o que conquistou. Discursos foram realizados tantas vezes, e mais mais uma vez Valentino mostra que deseja fazer todo o possível para continuar sendo competitivo e voltar a vencer; ele não quer deixar nada ao acaso; ele não tem medo de se inventar novamente.

Afinal, teria sido muito mais simples continuar assim. Em vez disso, mudando o líder técnico, Rossi estará novamente sob os holofotes das críticas; ele não terá mais “desculpas” se não conseguir ser competitivo e quem hoje já o coloca em dúvida,  amanhã se ele não melhorar, esta pessoa estará pronta para atacá-lo ainda mais ferozmente.

Mas para o VR46, tudo isso não importa; ele só quer vencer e, para isso, decidiu que tinha que mudar de líder técnico, como no futebol muda-se de treinador.

A segunda consideração a ser feita é que Valentino ainda se sente rápido, até mesmo o melhor do MotoGP, e certamente está convencido que ainda pode vencer corridas e, talvez, até o título mundial. Uma consideração óbvia, mas não tão óbvia aos 40 anos, considerando que ele não sobe no topo do pódio há 41 GPs e o seu último pódio ocorreu terceira corrida de 2018.

Andrea Dovizioso comentou a mudança de chefe técnico (para 2020) de Valentino: “Ele nunca surpreende, faz de tudo para ser competitivo”.

As estatísticas, os números, estão todos contra ele, mas Rossi vê isso de maneira diferente; ele não se sente inferior a ninguém. Talvez ele ainda tenha apenas um ano de carreira, mas ele quer ter certeza que fez o melhor, não quer ter remorso, e nesse aspecto ele é incrível. Uma tenacidade admirável. Ele não procura desculpas, ele só quer tentar ganhar, e também está disposto a suportar as críticas mais ferozes.

Enfim, talvez 2020 seja o último ano de Valentino, e ele tem que tentar. Caso não consiga ter sucesso, pelo menos saberá que esgotou todas as possibilidades”. Muitos fariam isso? Eu digo que não….