Yamaha: maior velocidade máxima na reta ou sofrer uma reformulação total?

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Valentino Rossi pede para ter mais velocidade máxima na reta

Em 2018, as Yamahas sofreram com a rotação excessiva da roda traseira após uma resposta agressiva do acelerador. Isso significava que as motos ficavam sem pneus para terminar a corrida, perdendo posições nas últimas voltas. Em 2019, esse problema foi resolvido, mas como a Yamaha se concentrou na característica do motor e na resposta do acelerador, agora, mais uma vez, eles estão atrasados nas disputas de potência.

“Na velocidade máxima, perdemos muito”, disse Valentino Rossi depois de terminar em quinto na corrida de Le Mans, um segundo atrás das Ducatis de fábrica. “É difícil, especialmente na corrida quando você tem que lutar com eles e eles são muito mais rápidos na reta, então é difícil administrar a ultrapassagem. Parece que este ano estamos sofrendo muito nas retas. No resto, a moto é boa para pilotar e eu fui constante até o final, mas não foi o suficiente.”

O problema é que enquanto a Yamaha estava focada em suavizar a potência para garantir que o pneu durasse toda a corrida, a Ducati e a Honda deram mais um passo à frente em potência, deixando-os para trás. “Melhoramos a vida dos pneus com coisas diferentes na moto”, disse Rossi. “A moto é muito boa para pilotar. Eu quero ver a corrida, mas parece que na frenagem na curva eu estou bem. Mas os outros deram mais um passo, especialmente a Honda e agora a diferença é muito grande na reta. Verifique a velocidade na planilha. Em toda a corrida nós sofremos muito.”

A falta de potência é uma prioridade deliberada de design e a escolha que a Yamaha sempre fez ao longo da sua história. “Na história, a partir de 2004, a Yamaha nunca foi fantástica na reta”, disse Rossi. A Yamaha sempre se concentrou na dirigibilidade, em tornar a moto fácil de controlar e fácil de gerenciar. É ágil, freia bem, boa velocidade na curva, mas falta um pouco em aceleração e muito em velocidade máxima.”

O segredo da Quartararo é sua velocidade na curva

Sim, a Yamaha é a moto fácil de pilotar e muitos podem montá-la, mas já não vence corridas, apesar do brilhantismo dos jovens pilotos Franco Morbidelli e Fabio Quartararo, que foram sétimo e oitavo na corrida.

O que Quartararo aprendeu em Le Mans? “A maior coisa que aprendi foi como salvar o pneu”, disse o francês depois da corrida. “E eu acho que descobri algo novo. No começo do ano, eu estava buscando o tempo de volta na aceleração, empurrando como o inferno, e a moto estava deslizando muito. Agora eu estou fazendo o tempo de volta de uma maneira diferente. Não realmente em aceleração, mas mais em velocidade de canto, frenagem, todo o reverso do que eu estava fazendo no começo do ano. Então foi isso que eu aprendi durante a corrida. É apenas a nossa quinta corrida, então eu espero aprender mais coisas todas as vezes que correr, mas com certeza estou muito feliz com o que fizemos durante este GP.”

Rossi está certo em querer ter mais velocidade máxima em sua moto na reta? Se estiver, como explicar a efetividade de FabioQ20 nas curvas e no seu tempo de volta?

Tenho a impressão que a efetividade de motos boas em curvas de alta parece hoje estar perdendo, quase sempre, para as motos com variações no estilo “stop and go” empregadas por Marc Márquez e alguns pilotos da Ducati. Isso se tornando a regra, a Yamaha não conseguirá ser competitiva até que faça uma grande reformulação em sua moto.

Márquez observou em Le Mans que as Yamahas vão bem quando o grip de pista é bom. Quando a aderência não é tão boa, as Yamahas não podem acelerar e não podem frear porque, construídas longas e baixas, elas transferem menos peso para o pneu que faz o trabalho do que as motos especializadas no “stop and go”. Se o grip for bom, elas podem funcionar, mas se não for tão bom, elas estarão perdidas. Os pneus, eles duram mais nas motos “stop and go” porque elas passam menos tempo nas curvas nas bordas dos pneus, adicionou Marc Márquez.

Outro ponto: quanto mais rápido um piloto vai, mais cedo vem a deterioração do pneu. Os pneus Bridgestones tinham carcaças muito rígidas, o que dava aos pilotos de velocidade de curva o que eles precisavam: pneus que não cediam sob a carga de giro contínuo e pesado. Os Michelins de hoje, em contraste, têm carcaças mais macias que espalham sua generosa marca nas curvas de alta velocidade, levando a um maior desgaste.

Além disso, ter uma moto rápida não é sinônimo de vitórias. Cal Crutchlow tem a mesma moto de Márquez, mas sua performance no campeonato é inconsistente.

Enfim, o escriba aqui acredita que “Marc é o maior problema de todos”. Ele é o mais rápido em todas as pistas e em todas as condições, e será difícil construir uma moto que vença o atual campeão. Piloto e máquina devem formar uma combinação ideal, e Marc Márquez/Honda formam hoje o verdadeiro Dream Team da fábrica japonesa.